Não é verdade que foi confirmado o primeiro caso de infecção pelo vírus Nipah no Brasil, como fazem crer publicações nas redes. As peças enganosas tiram de contexto uma reportagem do Jornal da Record de 2021, que noticia o primeiro caso de uma variante indiana do coronavírus no país. Não há evidências de disseminação do Nipah fora da Índia.
As peças de desinformação acumulavam 712 mil visualizações no TikTok até a tarde desta quarta-feira (4).
Foi confirmado o primeiro caso da variante indiana no Brasil

Posts nas redes têm compartilhado como se fosse recente uma reportagem do Jornal da Record de 2021 para alegar que teria sido registrado o primeiro caso de infecção pelo Nipah no Brasil. Por meio de busca reversa, verificou que o conteúdo foi ao ar em maio daquele ano e fazia menção a uma variante indiana do Sars-CoV-2, que causa a Covid-19.
O vídeo compartilhado pelas peças enganosas suprimiu uma tarja presente na reportagem original que indicava que o apresentador se referia à infecção causada pelo coronavírus.
Na época, foi noticiado que um passageiro brasileiro que desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, estava contaminado com a variante indiana B.1.617.2 do coronavírus.
A linhagem tinha sido detectada pela primeira vez na Índia em outubro de 2020 e até então era considerada uma das variantes mais preocupantes, devido à sua capacidade de transmissão.
Nos comentários das publicações, a omissão do contexto correto tem levado usuários a acreditarem que a reportagem retrata o primeiro caso de infecção pelo Nipah no Brasil.

Em reportagem anterior, o Ministério da Saúde afirmou ao Aos Fatos que não há qualquer evidência de disseminação internacional do vírus Nipah ou risco para a população brasileira.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) também informou em comunicados oficiais que a chance de disseminação global do vírus é baixa.
No fim de janeiro, a entidade anunciou que nenhuma das 190 pessoas que entraram em contato com os dois pacientes comprovadamente infectados pelo Nipah na Índia testou positivo ou desenvolveu sintomas da doença.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos identificou a reportagem original e verificou que ela havia sido compartilhada fora de contexto. Também comparamos o material viral com a versão original exibida na televisão, observando elementos visuais como tarjas e legendas retiradas das publicações.
Por fim, consultamos informações oficiais sobre os riscos de disseminação do vírus Nipah no Brasil.




