Não é verdade que dois vídeos e uma foto viral registram uma paralisação nacional de caminhoneiros convocada para esta quinta-feira (4). As imagens compartilhadas pelos posts desinformativos não são recentes, conforme verificado pelo Aos Fatos por meio de busca reversa. Apesar da convocação feita na última quarta (3), não há registros de interdições relevantes em estradas.
Os posts fora de contexto somavam 124 mil curtidas no Instagram, 468 mil visualizações no TikTok, além de centenas de compartilhamentos no Facebook e no Threads até a tarde desta quinta-feira (4).
Greve dos caminhoneiros dia 04/12

Publicações nas redes têm compartilhado uma foto antiga que mostra caminhões parados em uma rodovia como prova de que estaria ocorrendo uma greve da categoria nesta quinta (4).
Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que a imagem foi publicada em fevereiro de 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), para ilustrar uma matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre uma greve de caminhoneiros marcada para aquele mês.
Na época, a categoria protestava contra a suspensão do julgamento sobre a constitucionalidade da tabela de frete pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
As principais rodovias do país não registraram paralisações de caminhoneiros até a publicação desta checagem.
Começou Brasil. Olha aí, ó, o véio da Havan já mandou acessório, tudo, colchonete, tudo, para os caminhoneiros ficarem aqui, acampados

Também não é recente o vídeo de um congestionamento de caminhões em uma rodovia no qual uma pessoa diz que o dono da Havan, Luciano Hang, teria enviado suprimentos e colchonetes para motoristas. Embora não tenha encontrado o registro original das imagens, Aos Fatos verificou que a gravação foi publicada no TikTok em janeiro deste ano.
Também há indícios de que o áudio que acompanha as imagens foi inserido digitalmente. Reportagens publicadas pelo Estadão Verifica em fevereiro e setembro mostram que a gravação aparece em outros vídeos que mostram filas formadas por caminhoneiros em estradas, mas que não retratam necessariamente greves ou paralisações da categoria.
Em busca na imprensa e nas contas oficiais da Havan e de Hang nas redes, Aos Fatos não encontrou quaisquer registros de que o empresário tenha enviado recentemente insumos a caminhoneiros para que participassem de uma eventual greve.
Caminhoneiros protestam em rodovias de vários estados

Posts nas redes também têm compartilhado fora de contexto cenas de uma reportagem veiculada pelo Balanço Geral, da Record, em 31 de outubro de 2022, que mostra um protesto de caminhoneiros contrários à vitória do presidente Lula (PT) nas eleições.
Na época, parte da categoria bloqueou rodovias de 25 estados e do Distrito Federal. As interdições, no entanto, foram desfeitas em poucos dias, e não houve anúncio de uma greve nacional.
Paralisação. Na última quarta-feira (3), Francisco Dalmora Burgardt, conhecido como Chicão Caminhoneiro, protocolou um documento que anunciava um suposto indicativo de greve nacional do setor.
Chicão, que se diz líder da União Brasileira dos Caminhoneiros, alegava que a pauta da paralisação não seria partidária e que o objetivo era defender os interesses da profissão.
A greve, anunciada para esta quinta-feira (4), no entanto, não se confirmou. Em nota à imprensa, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou que nenhuma comunicação formal sobre mobilizações foi registrada em rodovias federais.
Entidades da categoria negaram ter sido convocadas e denunciaram o caráter político do movimento.
O caminho da apuração
A reportagem realizou buscas reversas de imagem em diferentes plataformas para localizar registros anteriores que correspondiam aos conteúdos compartilhados. A partir desses resultados, foi possível identificar datas e contextos originais, além de relacionar cada material a publicações da imprensa sobre mobilizações passadas envolvendo caminhoneiros.
Em paralelo, Aos Fatos consultou reportagens de veículos de imprensa e verificações anteriores para confirmar o reaproveitamento dos materiais. Também buscamos registros oficiais e manifestações públicas de órgãos e pessoas citadas, e consultamos comunicados da PRF sobre eventuais notificações formais de mobilizações.




