Postagens enganam ao dizer que irmãos Miranda forjaram documento da compra da Covaxin

Por Luiz Fernando Menezes

1 de julho de 2021, 14h31

Um comparativo que circula em posts nas redes sociais (veja aqui) não prova que uma das faturas da compra da vacina Covaxin apresentadas pelo deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) à CPI da Covid-19 tenha sido falsificada. Os dois documentos, apresentados um como falso e outro como verdadeiro pelas postagens, são, na realidade, atualizações da mesma fatura de aquisição do imunizante, como revelou o jornal O Globo.

As postagens enganosas somavam mais de 30 mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (1º) e foram marcadas por Aos Fatos com o selo FALSO na ferramenta de verificação disponibilizada pela rede social (entenda como funciona).


Deputado Luís Miranda e seu irmão falsificam documentos para propagar fake news contra o presidente Bolsonaro.

Circulam nas redes sociais postagens que afirmam que o deputado Luís Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, teriam forjado um documento apresentado durante depoimento à CPI da Covid-19 no Senado. A alegação, entretanto, não pode ser provada pelas imagens referidas nas publicações, que são versões diferentes de uma mesma fatura e foram apresentadas pelos irmãos à CPI.

Os irmãos relataram à CPI (documento 1.257) que três documentos foram emitidos pela Madison Biotech, ligada à produtora da Covaxin: uma primeira versão em 18 de março de 2021, uma segunda no dia 22 daquele mês e uma correção desta última ainda na mesma data. As três versões constam no sistema interno do Ministério da Saúde, segundo verificou o jornal O Globo.

O documento classificado como “falsificado” pela publicação é semelhante à imagem da primeira nota emitida pela empresa. Nessa versão (veja abaixo), constava que o governo federal iria pagar o valor total do contrato adiantado pela aquisição de 300 mil unidades da vacina a US$ 150 cada.

O governo, então, questionou as informações e disse que o acordado eram 3 milhões de doses e a empresa respondeu que as unidades se referiam aos frascos, e não às doses das vacinas. Como cada frasco representaria 10 doses, o número estaria correto.

Já a fatura classificada como “documento original” bate com as imagens da terceira versão da nota (veja abaixo), na qual a informação de que o pagamento seria adiantado foi retirada e a quantidade de doses contratadas foi corrigida, para 3 milhões a US$ 15 cada.

Apuração. A tese de que Miranda teria falsificado um documento foi disseminada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, na quarta-feira passada (23): “A má fé é clara. A suspeita da falsificação é forte. A Polícia Federal e os peritos que vão determinar. O presidente já pediu e o chefe da Casa Civil já enviou ao ministro Anderson a abertura da investigação de todos os fatos pela Polícia Federal”. O inquérito para apurar a denúncia foi instaurado na última quarta-feira (30), ainda sem conclusão.

A imagem também foi checada pelo Comprova.

Referências:

1. Senado
2. O Globo
3. Poder360
4. CNN Brasil


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