Ponte de madeira destruída no Maranhão não custou R$ 1 milhão

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Não é verdade que uma ponte de madeira destruída por moradores de Araioses (MA) tenha custado cerca de R$ 1 milhão à prefeitura e levado um ano para ser concluída. A estrutura mostrada nas imagens que circulam nas redes já existia no local de forma provisória e seria substituída por uma nova passagem, que foi licitada pela prefeitura no ano passado, mas ainda não teve as obras iniciadas.

Publicações com o conteúdo falso acumulavam 10 mil curtidas no Instagram e 2.000 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (26).

No Maranhão, moradores destroem ponte de madeira em forma de protesto; estrutura demorou um ano para ficar pronta e custou quase R$ 1 milhão

Montagem dividida em duas fotos lado a lado mostra ponte de madeira sobre pequeno rio ou área alagada em estrada de terra. Em ambas as fotos, várias pessoas aparecem sobre a ponte, algumas usando bermudas, chinelos e camisetas. A ponte é formada por troncos de madeira colocados horizontalmente, com partes quebradas e espaços abertos. Na foto da esquerda, um homem de camiseta rosa e bermuda estampada está inclinado sobre a ponte segurando uma ferramenta circular vermelha. Na foto da direita, um grupo de pessoas caminha e se reúne sobre a estrutura enquanto partes da madeira parecem deslocadas. Ao fundo há vegetação, árvores e céu azul com nuvens. Na parte inferior da imagem, há um texto que diz: 'No Maranhão, moradores destroem ponte de madeira em forma de protesto; estrutura demorou um ano para ficar pronta e custou quase R$ 1 milhão'.

Posts nas redes enganam ao afirmar que moradores de Araioses (MA) destruíram, em protesto, uma ponte de madeira construída por quase R$ 1 milhão e que teria levado um ano para ser concluída. A estrutura mostrada nas imagens já existia de forma provisória e seria substituída por uma nova passagem, que ainda não começou a ser construída.

A Prefeitura de Araioses abriu, em 20 de outubro do ano passado, uma licitação para a “construção de passagem molhada para substituição de ponte de madeira existente”. Em 11 de novembro, o processo foi concedido à empresa Impactto Engenharia, com valor homologado de R$ 932.863,18 — próximo ao citado pelas peças de desinformação.

Por telefone, a administração municipal esclareceu que a obra ainda não foi iniciada e que a estrutura citada pelas peças de desinformação era uma ponte improvisada já existente no local.

Segundo a prefeitura, o início dos serviços foi adiado devido aos alagamentos que ocorrem com frequência na região nessa época do ano. Segundo ele, o montante reservado para a obra via licitação ainda não foi pago à empresa contratada.

Imagem de uma prancha técnica de engenharia mostrando o projeto de uma passagem molhada. A prancha contém desenhos técnicos, cortes, medidas e renderizações da estrutura sobre a água. A estrutura aparece como uma plataforma longa com tubos circulares de concreto na base e balizadores verticais na parte superior. Há diagramas da composição da estrutura, vistas em planta e cortes laterais com medidas em vermelho. No canto inferior direito aparece o logotipo da ‘Prefeitura de Araioses’ junto a uma tabela técnica do projeto.
Desenho da ponte que consta no projeto original licitado pela prefeitura de Araioses (Reprodução/Prefeitura de Araioses)

O contrato passou a ser alvo de investigação pelo Ministério Público do Maranhão. Em 8 de abril, foi instaurado um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no procedimento licitatório, incluindo suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que o vídeo foi gravado no município de Araioses (MA). Buscamos, então, o processo licitatório de construção da suposta ponte e descobrimos que os valores citados pelos posts enganosos se referiam à soma destinada à construção de uma estrutura que substituiria a passagem de madeira destruída pela população da cidade.

A reportagem entrou, então, em contato com a Prefeitura de Araioses e consultou outras publicações oficiais referentes à obra.

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