Não é verdade que a Polícia Militar de São Paulo identificou um plano de ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) caso o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, vença as eleições. A Secretaria de Segurança Pública paulista desmentiu neste sábado (3) a veracidade da alegação que circula nas redes.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 223,5 mil interações no X, no Facebook e no Instagram até a tarde deste sábado (3). As peças também circularam no WhatsApp, onde não é possível medir o alcance com precisão.
🚨 Urgente!!! Polícia Militar de SP registra planos de ataque da facção do PCC em todo o Brasil. Os ataques seriam em embaixadas, delegacias, vias públicas e prédios oficiais. Logo que confirmada a vitória de Flávio Bolsonaro os ataques acontecerão

Publicações nas redes afirmam, sem provas, que a Polícia Militar de São Paulo identificou um plano do PCC para atacar embaixadas, delegacias, vias públicas e prédios oficiais em diferentes regiões do Brasil em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo disse ao Aos Fatos que “são totalmente improcedentes as publicações mencionadas sobre um suposto plano de ataques a instituições públicas após as eleições”.
A PF (Polícia Federal) realizou uma operação nesta sexta-feira (2) para investigar possíveis ameaças contra instalações diplomáticas e informou que não encontrou, até o momento, elementos que confirmem os riscos investigados nem identificou suspeitos ligados a facções criminosas.
A PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão, um em São Paulo e outro no entorno do Distrito Federal. A operação teve caráter preventivo e foi realizada no âmbito de uma investigação sigilosa, conduzida em cooperação com agências de inteligência estrangeiras.
A corporação disse que continuará analisando os equipamentos de comunicação e os arquivos apreendidos durante o cumprimento dos mandados.
A alegação desinformativa circula em meio a alertas de segurança emitidos por representações diplomáticas estrangeiras. Na quinta-feira (1º), os Estados Unidos anunciaram a suspensão de seus serviços consulares presenciais no Brasil a partir do dia seguinte. A Austrália também anunciou o fechamento de sua embaixada em Brasília na sexta-feira (2).
Em comunicado, a embaixada dos Estados Unidos justificou a decisão por preocupações com a segurança e orientou seus cidadãos a evitar as instalações diplomáticas durante o período de suspensão dos atendimentos. A representação não divulgou detalhes sobre as ameaças.
A embaixada da Austrália também anunciou que permaneceria fechada na sexta (2), citando preocupações similares. Nenhum dos comunicados atribuiu as decisões a possíveis ameaças ao PCC.
Repercussão. Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque, divulgado neste sábado (3), identificou 75,5 mil publicações sobre a movimentação de fechamento das embaixadas, que acumularam 1,3 milhão de interações nas redes sociais em 2 de outubro.
Segundo o relatório, as decisões foram associadas nas redes a diferentes narrativas, como alegações de que seriam uma reação internacional a supostas interferências do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas eleições ou uma estratégia de pressão externa sobre o processo eleitoral brasileiro.
O caminho da apuração
Aos Fatos consultou os comunicados das embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália, além da nota divulgada pela Polícia Federal sobre a operação realizada para investigar possíveis ameaças contra instalações diplomáticas. Em seguida, a reportagem entrou em contato com a SSP-SP, que confirmou que a informação é falsa.
Aos Fatos também procurou as representações diplomáticas dos dois países, mas não teve retorno até a publicação da checagem. Por fim, a reportagem consultou informações da imprensa sobre os alertas de segurança e um levantamento do Instituto Democracia em Xeque sobre a repercussão do fechamento das embaixadas nas redes sociais.





