Não é verdade que a busca por duas crianças desaparecidas em Bacabal (MA) chegou ao fim e resultou na prisão de um suspeito. O Corpo de Bombeiros da cidade afirmou ao Aos Fatos nesta quinta-feira (15) que a informação é falsa: nenhuma pessoa foi presa e, ao contrário do que afirmam as publicações enganosas, as buscas foram intensificadas, com a chegada de reforços de outros estados.
As peças com o conteúdo falso acumulavam cerca de 4,5 milhões de visualizações no Facebook até a tarde desta quinta-feira (15).
Chega o fim das buscas: Nesta manhã, suspeito foi preso após …

Publicações enganam ao afirmar que as buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, foram encerradas em Bacabal e que um suspeito foi detido. Procurado por Aos Fatos, o 6º Batalhão de Bombeiros Militar, sediado no município, informou que a operação segue em andamento e recebeu reforços do Ceará e do Pará.
A informação também foi divulgada na quarta-feira (14) pelo governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB) e pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) do estado.
O 6º BBM afirmou que, até o momento, não há suspeitos nem detenções relacionadas ao desaparecimento das crianças.
No dia 4 de janeiro, Anderson Kauan, de 8 anos, e os irmãos Ágatha e Allan desapareceram após saírem para brincar em uma área de mata no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. A região é cercada pelo rio Mearim e por diversos lagos.
Após o registro do desaparecimento pelos familiares, foi iniciada no dia seguinte uma operação conjunta envolvendo a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros, com apoio de moradores e voluntários. As buscas, que continuam em andamento, envolvem cães farejadores, helicópteros e drones, além de outros equipamentos técnicos.
Três dias depois, em 7 de janeiro, Anderson — que é primo das crianças desaparecidas — foi encontrado por carroceiros em uma estrada a cerca de 100 metros do rio Mearim. Ele estava debilitado e sem roupas, mas exames médicos descartaram abuso sexual.
Segundo o governador do Maranhão, o menino permanece internado no Hospital Geral de Bacabal, onde recebe acompanhamento multiprofissional. A Secretaria Municipal de Saúde também informou que ele está bem e em recuperação.
Em relato feito aos pais e à psicóloga que o acompanha no hospital, Anderson disse que não houve sequestro, hipótese anteriormente levantada pelo pai: ele e as outras duas crianças entraram sozinhas na mata e acabaram se perdendo.
Segundo Anderson, após se perderem, as crianças procuraram abrigo durante uma chuva. Em determinado momento, ele decidiu deixar os primos mais novos em uma casa abandonada no meio da mata e saiu para buscar ajuda, mas se perdeu no caminho e, ao retornar ao local, não encontrou mais os irmãos.
No dia 10 de janeiro, sétimo dia de buscas, o Exército e o Batalhão Ambiental passaram a atuar como reforços na operação. Ao todo, cerca de 600 pessoas participam das buscas, concentradas em uma área próxima a um lago, após o relato de Anderson.
Prisões. Teorias conspiratórias passaram a circular nas redes após a divulgação de que, um dia antes de Anderson ser encontrado, o companheiro da avó de um dos meninos havia sido preso por suspeita de tentativa de estupro.
Segundo a Polícia Civil, no entanto, a prisão não tem relação com o caso. O homem foi detido em cumprimento a um mandado expedido após denúncia de tentativa de estupro contra uma adolescente de 16 anos, registrada no dia 1º de janeiro pela mãe da vítima. Não há provas de que ele tenha qualquer ligação com o desaparecimento das crianças.
Além dele, o padrasto dos irmãos, Márcio Silva, também passou a ser acusado nas redes de envolvimento no desaparecimento. Ele deixou a cidade no mesmo dia em que as crianças sumiram, o que levantou suspeitas.
Márcio seguia para São Luís, onde embarcaria em um voo com destino a Curitiba (PR). À polícia, porém, ele apresentou comprovantes de que a viagem estava relacionada a um compromisso de trabalho.
O caminho da apuração
Aos Fatos entrou em contato com o 6º Batalhão de Bombeiros Militar de Bacabal, responsável pelas buscas. A corporação confirmou que a operação continua e recebeu reforços interestaduais.
Também foram consultadas declarações públicas do governador do Maranhão e da Secretaria de Segurança Pública, bem como informações da Polícia Civil e da imprensa.




