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Polícia do Rio é 77% mais letal que a de SP

Por Bárbara Libório

10 de junho de 2016, 11h14

Aos Fatos mostrou na última quinta-feira (9) que, em dez anos (de 2004 a 2014), a Polícia Militar do Estado de São Paulo matou três vezes mais que atentados considerados terroristas das principais guerrilhas e grupos terroristas latino-americanos, segundo o Global Terrorism Database. Há, no entanto, uma instituição mais letal: a Polícia do Rio de Janeiro que, na última década, matou 77% mais que a polícia paulista.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, de 2005 a 2015, 9.118 pessoas morreram em decorrência de ação policial de agentes em serviço — são os chamados “homicídios proveniente de oposição à intervenção policial”. Em São Paulo, foram 5.132 casos de morte decorrentes de ação policial durante o mesmo período — a Secretaria de Segurança Pública de SP não os classifica como homicídios.

Veja, em tabelas, a íntegra da nossa apuração.

Os anos de 2005 a 2009 foram os mais violentos no Rio de Janeiro: morreram pelas mãos de policiais militares 1.098, 1.063, 1.330, 1.137 e 1.048 pessoas, respectivamente. Desde então, o número não voltou a ultrapassar a casa dos mil.

Em 2015, a região da Grande Niterói foi a que mais sofreu com a violência policial, com uma taxa de 8,1 mortes para cada 100 mil habitantes. Na capital, a taxa foi de 4,7. A baixada fluminense e o interior do estado tiveram taxas de 4,1 e 1 mortes para cada 100 mil habitantes, respectivamente.

Polícia x terrorismo. Se fizermos o mesmo exercício que fizemos com a Polícia Militar paulista e compararmos o número de mortes causadas pela polícia do Rio de Janeiro e o número de mortes causadas por atentados das principais guerrilhas e grupos terroristas latino-americanos, a letalidade é ainda maior.

A polícia fluminense matou, de 2004 a 2014, sete vezes mais que atentados de grupos como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias de Colombia), guerrilha armada que opera na Colômbia desde 1964 contra o governo baseado em Bogotá e que é diretamente ligada à produção e ao tráfico de cocaína, e o ELN (Exército de Liberação Nacional).

E, ainda, se fizermos a comparação apenas com as Farc, responsável por 70% do número de mortes em atentados, vemos que a polícia fluminense matou 10 vezes mais a guerrilha nesse período.

Metodologia. A base de dados do Global Terrorism Database pertence ao National Consortium for the Study of Terrorism and Responses to Terrorism, de sigla Start, da Universidade de Maryland, nos EUA, e reúne informações sobre os atentados terroristas que ocorreram entre 1970 e 2014. O consórcio afirma que a recompilação de dados passou por quatro fases em que se aplicaram diferentes definições de terrorismo. Estão entre elas atos violentos com o objetivos políticos, econômicos, religiosos ou sociais; que incluem a intenção de coagir, intimidar ou transmitir alguma mensagem para um público maior que não as vítimas imediatas; ou que está fora dos preceitos do direito internacional humanitário.

No caso da América do Sul, a maioria dos grupos responsáveis por esses atentados são guerrilhas armadas e grupos paramilitares. Na Colômbia, a guerra entre forças do governo, guerrilhas, grupos paramilitares data da década de 1960 e já deixou milhares de mortos de ambos os lados. As Farc e o governo colombiano negociam um acordo de paz desde 2012.

Para esta reportagem também usamos dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, com informações da Polícia Civil fluminense.

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