Polícia Civil não disse que empresa ligada ao PT contratou drone que atacou petistas

Por Marco Faustino

23 de junho de 2022, 18h24

É falso que a Polícia Civil de Minas Gerais tenha identificado que um drone usado para atacar apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Uberlândia (MG), no dia 15 de junho, foi contratado por uma empresa ligada ao PT, como afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). A polícia negou que tenha identificado o proprietário do equipamento e informou que a investigação sobre o caso está a cargo do Ministério Público Federal — que, por sua vez, diz não ter indícios de que o ataque tenha sido orquestrado por uma empresa contratada pelo partido.

Publicações com a alegação enganosa somavam ao menos 1.000 compartilhamentos no Facebook, e circulam também no Telegram, Twitter e WhatsApp (fale com a Fátima).


Selo falso

A Polícia Civil de MG já identificou o proprietário do drone, uma empresa de propaganda contratada pelo PT. O operador disse que recebeu ordens de fazer isso para ser filmado e usar as imagens para fazer propaganda polícia

Postagem com a alegação falsa de que a Polícia Civil identificou proprietário de drone usado em ataque em Uberlândia (MG)

Não é verdade que a Polícia Civil de Minas Gerais apurou que uma empresa de propaganda contratada pelo PT é proprietária do drone que foi usado para atacar apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), em Uberlândia (MG), no dia 15 de junho. O órgão policial informou que não apurou a propriedade do equipamento nem se a ação foi patrocinada por partidos políticos.

“A Polícia Civil esclarece que as informações são improcedentes, visto que as investigações estão a cargo do Ministério Público Federal por se tratar, a matéria, de competência da Justiça Federal”, disse o órgão em email enviado ao Aos Fatos.

O caso foi atribuído ao MPF porque drones são considerados aeronaves não tripuladas, reguladas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A Procuradoria da República em Minas Gerais afirmou ao Aos Fatos que não há, até o momento, nenhuma indicação de que o drone tenha sido contratado por uma empresa de propaganda ligada ao PT. “A investigação está em sua fase inicial e justamente por esse motivo iremos fornecer informações a respeito”, ressalvou o órgão do MPF. O PT disse em nota que “não tem nenhuma relação com os autores” do ataque.

A Polícia Militar de Minas Gerais deteve, no mesmo dia do incidente, três homens suspeitos de operarem o equipamento. Eles foram liberados após assinarem um termo circunstanciado. Na segunda-feira (20), o deputado federal Reginaldo Lopes (PT), que coordena a pré-campanha de Lula no estado, protocolou denúncia no Ministério Público Estadual de Minas Gerais contra os suspeitos.

Referências:

1. G1 (1, 2)
2. Anac
3. Correio Braziliense
4. O Tempo


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