Marcos Oliveira/Agência Senado

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PMDB usa dado errado sobre apoio a Collor para convencer deputados pelo impeachment

Por Tai Nalon

14 de abril de 2016, 06h58

Integrantes da oposição têm usado na Câmara o argumento de que 37 dos 38 deputados que votaram contra o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, não se reelegeram. Segundo essa versão, apenas o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que era contra o afastamento do então presidente, sobreviveu politicamente.

No último sábado (9), o PMDB publicou em sua conta oficial no Twitter a mesma afirmação, conclamando deputados a votar favoravelmente ao impeachment da presidente Dilma Rousseff devido aos "ensinamentos da história".

Aos Fatos checou essas afirmações e verificou que 26 dos 38 deputados permaneceram ativamente na vida política — sendo 21 deles com algum tipo de mandato eletivo. A reportagem conferiu se os deputados em questão disputaram cargos nas eleições de 1994 para qualquer dos cargos do Executivo e do Legislativo. Também verificou se os políticos continuaram na vida pública e na órbita do poder, mesmo sem mandato.

Veja, abaixo, por que demos o selo FALSO à afirmação do PMDB.


FALSO
Dos 38 deputados que votaram contra o impeachment do Collor em 1992, 37 não se elegeram mais, nem para síndico de prédio. Fica o lembrete aos nossos caros deputados. Apenas Roberto Jefferson se reelegeu.

A lista de votantes na sessão da Câmara que aprovou em 1992 o processo de impeachment de Collor relaciona 38 deputados contra o afastamento do então presidente. Desses, 13 se reelegeram deputados federais em 1994, pleito imediatamente posterior à queda do agora senador por Alagoas. É o caso de Roberto Jefferson, citado pelo PMDB, mas também de Abelardo Lupion (DEM-PR), Átila Lins (PSD-AM) e Nelson Marquezelli (PTB-SP) — os três com mandato de deputado atualmente e os dois últimos favoráveis ao impeachment de Dilma.

O político de atuação mais destacada desse grupo foi Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), morto em 1998. Filho do então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o deputado era líder do governo na Câmara sob Fernando Henrique Cardoso e cotado para disputar as eleições presidenciais em 2002.

Veja quem são e como estão todos os 38 políticos em nossa tabela detalhada.

Dos 38, outros 13 não se reelegeram em 1994, mas voltaram a ocupar cargos públicos pouco depois. Alguns viraram prefeitos, deputados, senadores, chefes de estatais e secretários de estado e municípios.

O caso mais emblemático é o de Euclydes Neto (PTB-AL), que é, hoje, primeiro suplente do próprio ex-presidente Fernando Collor no Senado. Entre 2007 e 2008, quando Collor se licenciou para disputar o governo de Alagoas, Neto assumiu seu posto.

Outro que não se reelegeu em 1994, mas tem atuação política influente no Congresso ininterruptamente desde 1999 é o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), líder de seu partido na Casa e notório apoiador do impeachment de Dilma. Naquele ano, disputou as eleições para o governo de Goiás e terminou a campanha em terceiro lugar.

Paulo Octávio (então PRN-DF) também teve atuação destacada quando voltou à Câmara, em 1999. Em 2002, elegeu-se senador. Em 2006, virou vice-governador do Distrito Federal na chapa de José Roberto Arruda (PR, ex-DEM), que viria a ser cassado devido aos desdobramentos do escândalo do mensalão do DEM. Octávio assumiu o mandato no lugar do ex-governador, mas renunciou semanas depois.

Fonte: Câmara dos Deputados e CPDOC FGV

Os demais 12 deputados que não se reelegeram têm histórias diferentes. Cinco desses desistiram da vida pública e não se candidataram mais a nada. Os demais tentaram a reeleição, não conseguiram e não assumiram mais qualquer outro cargo eletivo ou ligado à administração pública.

Portanto, a afirmação do PMDB, de que apenas um deputado aliado a Collor se reelegeu, não tem qualquer amparo factual. FALSO.

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