Não é verdade que a PF descobriu uma fraude eleitoral ao abrir o código-fonte das urnas eletrônicas e constatar que o presidente Lula (PT) obteve apenas 36,32% dos votos em 2022. Posts que fazem essa alegação inventam uma operação que nunca aconteceu e distorcem a forma como funciona a análise dos equipamentos de votação.
Esta alegação enganosa acumulava milhares de visualizações no YouTube e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (3). O conteúdo também foi enviado por leitores ao Aos Fatos via WhatsApp, plataforma em que não é possível estimar o alcance com precisão.
MAIS UMA BOMBA EXPLODE! PF ABRE CÓDIGO FONTE! BOLSONARO TINHA RAZÃO! LULA TEVE SÓ 36,32%!

São mentirosas as publicações que afirmam que a PF “abriu o código-fonte” das urnas eletrônicas e descobriu que Lula não venceu as eleições de 2022. A afirmação é falsa por ao menos três motivos:
- A Polícia Federal divulga todas as suas ações no site e não há nenhum registro de operação semelhante a essa na página;
- Tampouco há menção a uma operação do tipo na imprensa;
- O código-fonte das urnas não é secreto.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) disponibiliza o código-fonte usado nos equipamentos um ano antes das eleições para que técnicos e pesquisadores possam analisá-lo. A abertura dos programas é obrigatória e faz parte do Ciclo de Transparência Eleitoral.
O código-fonte da urna é um conjunto de comandos de programação que determinam como os equipamentos devem funcionar. Desde 2002, esse código é oferecido às entidades fiscalizadoras, que vão até a sede do tribunal, em Brasília, e recebem acesso à codificação.
O código-fonte de 2022 foi inspecionado pela PF em agosto daquele ano, meses antes da votação. A corporação também fiscalizou o pleito e não reuniu evidência de fraude em nenhum dos dois turnos.
A eleição de 2022 terminou com Lula eleito com 60,3 milhões de votos (50,9% dos votos válidos), contra 58,2 milhões de votos (49,1% dos votos válidos) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em outubro de 2025, a Justiça Eleitoral abriu para inspeção o código que será usado no pleito deste ano, e a PF é uma das instituições credenciadas para a análise. Desde então, as urnas estão disponíveis para investigação — o União Brasil, por exemplo, inspecionou o código-fonte no dia 25 de maio deste ano. O prazo termina antes da cerimônia de lacração dos equipamentos, prevista para 14 de setembro.
Não há registro, no site da PF ou na imprensa, de que alguma irregularidade tenha sido encontrada pelos agentes até o momento.
Esta peça de desinformação também foi desmentida pela Reuters e pela Agência Lupa.
O caminho da apuração
Aos Fatos procurou por operações recentes da PF no site oficial e na imprensa e não encontrou nada semelhante ao que tem sido divulgado pelas peças de desinformação. Recuperamos informações sobre a análise dos códigos-fontes e das fiscalizações feitas pela PF.
Também procuramos o TSE e a PF para pedir posicionamentos sobre a alegação, mas só a força de segurança respondeu até a publicação desta checagem.





