É falso que a Polícia Federal concluiu que não há indícios de crime nas mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de um filme. Em nota, a PF não confirmou as alegações que circulam nas redes. Em busca na imprensa e em canais oficiais, Aos Fatos também não encontrou informações similares.
As publicações falsas acumulavam 16 mil compartilhamentos no Facebook e 4.000 curtidas no Instagram. As peças também circulam no WhatsApp, plataforma em que não é possível estimar o alcance dos conteúdos.
Polícia Federal conclui que troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro não apresenta indícios de crime

Publicações enganam ao afirmar que a PF teria concluído que as mensagens enviadas por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro e reveladas pelo Intercept Brasil “não apresentam indícios de crime”. Em nota, a corporação disse que não confirma as alegações, “nem se manifesta sobre eventuais investigações em andamento”.
Aos Fatos não encontrou nota oficial da Polícia Federal, manifestação formal da PGR (Procuradoria-Geral da República) ou informação divulgada em canais oficiais que atestem a existência de inquérito para apurar crime na troca de mensagens.
Algumas versões das peças de desinformação alegam que a conclusão da suposta investigação teria sido divulgada pela imprensa. Aos Fatos, no entanto, não encontrou reportagens que corroborem com essa afirmação.
Contudo, é fato que, após as conversas entre Flávio e Vorcaro terem sido reveladas pelo Intercept Brasil, a PF abriu uma nova linha de investigação. O objetivo é apurar se o dinheiro solicitado pelo senador foi de fato destinado à produção da cinebiografia Dark Horse ou usado para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Ainda assim, o foco da investigação não é determinar se as mensagens em si são criminosas, mas verificar:
- o destino final dos recursos;
- se o filme foi usado para ocultar repasses;
- eventual prática de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro ou outras irregularidades.
A suspeita surgiu após pessoas ligadas à produção do filme afirmarem que o projeto não recebeu recursos do Master.
De acordo com as mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil, Flávio teria solicitado R$ 134 milhões para custear a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Desse montante, R$ 61 milhões foram pagos pelo banqueiro.
Do total aportado, R$ 2,3 milhões teriam sido repassados para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no estado americano do Texas e que tem entre seus responsáveis legais o advogado Paulo Calixto, representante de Eduardo Bolsonaro.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou informações sobre a suposta investigação em canais da Polícia Federal, da PGR e do governo federal, mas não encontrou registros de que a PF teria concluído que as mensagens não apresentavam indícios de crime.
A reportagem também entrou em contato com a corporação, que disse não confirmar a informação. Complementamos ainda a checagem com informações disponíveis na imprensa.





