Não é verdade que a Polícia Federal não conseguiu acessar os celulares de Adélio Bispo, que deu uma facada em Jair Bolsonaro (PL), e de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Conforme noticiado por canais oficiais e pela imprensa, a corporação extraiu dados do celular e de outros dispositivos eletrônicos de Adélio e também já realizou perícia no aparelho de Vorcaro.
As peças enganosas acumulavam 25 mil curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (14).
Engraçado, somente esses dois homens no Brasil [Adélio Bispo e Daniel Vorcaro] têm o celular que nem a inteligência da PF consegue acessar.

Posts nas redes mentem ao afirmar que os celulares de Adélio Bispo, agressor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não puderam ser acessados pela PF.
Conforme já mostrado pelo Aos Fatos (veja aqui e aqui), a Justiça autorizou, sim, a quebra de sigilo dos quatro aparelhos celulares e do notebook encontrados com Adélio. Foram analisados mais de 6.000 mensagens e 40 mil emails, além da atividade em redes como o Facebook, que englobam cerca de 700 gigabytes de dados.
As peças enganosas compartilham uma foto de Adélio acompanhada da seguinte legenda: “PF tem dificuldade em desbloquear o celular de Adélio Bispo”. Por meio de busca na imprensa e em canais oficiais, Aos Fatos não localizou qualquer reportagem ou comunicado com esse título.
Após uma série de investigações (confira aqui, aqui e aqui), a PF concluiu que Adélio agiu sozinho e que não houve mandantes ou financiamento para que o atentado ocorresse.
No caso de Vorcaro, as peças enganosas reproduzem o título de uma reportagem publicada pelo Metrópoles em 12 de dezembro. Na época, o dono do Banco Master se recusou a fornecer a senha do aparelho ao ser questionado por uma delegada da PF durante depoimento no STF (Supremo Tribunal Federal).
As peças de desinformação omitem, no entanto, que os investigadores afirmaram na época que a recusa não impedia o acesso técnico ao aparelho.
Reportagens publicadas pela imprensa atestam que a corporação conseguiu acesso ao dispositivo do banqueiro, no qual encontrou mensagens referentes a um contrato com o escritório de advocacia Barci de Moraes, da família do ministro do STF Alexandre de Moraes, e a acordos para que influenciadores defendessem o Master nas redes.
Nesta quarta-feira (14), a PF realizou a segunda fase da operação contra um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A ação incluiu buscas em endereços ligados a Vorcaro e seus parentes, como o pai, a irmã e o cunhado.
Em nota à imprensa, a defesa do banqueiro informou que tomou conhecimento da medida e que o empresário "tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes".
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou registros públicos e reportagens sobre as investigações envolvendo Adélio Bispo e consultou checagens anteriores e documentos que descrevem a quebra de sigilo e o volume de dados analisados pela Polícia Federal. A reportagem também procurou na imprensa o suposto título atribuído a Bispo e verificou que não havia publicação com esse enunciado.
No caso de Daniel Vorcaro, Aos Fatos analisou matérias citadas pelos posts e checou a informação sobre a recusa de senha, confrontando com relatos de investigadores sobre a possibilidade de acesso técnico. Também verificamos informações divulgadas por veículos sobre relatórios preliminares.




