Pesquisa suspensa por Nunes Marques não mostra Lula com 75% de intenções de voto

Não é verdade que o presidente Lula (PT) tenha 75% das intenções de voto na pesquisa AtlasIntel que foi suspensa pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Nunes Marques, na segunda-feira (8). Na realidade, o petista aparece no levantamento com 47%, contra 34,3% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno.

Publicações enganosas acumulavam ao menos 2.000 curtidas no Instagram e 5.000 visualizações no X até a tarde desta quarta-feira (10).

Intenções de voto - 1º Turno. Pesquisa barrada por Nunes Marques. 75% contra 25%

Gráfico sobre fundo azul com o título em letras brancas: 'INTENÇÕES DE VOTO - 1º TURNO' e, logo abaixo, 'PESQUISA BARRADA POR NUNES MARQUES'. Mais à esquerda há uma escala vertical marcada em porcentagens de 10% a 50%. No lado esquerdo do gráfico há uma barra vermelha alta com o número '75%' escrito em branco. Acima dela aparece a imagem do presidente Lula vestindo terno azul e sorrindo. No lado direito do gráfico há uma barra verde menor com o número '25%' escrito em branco. Acima dela está uma imagem de Flávio Bolsonaro usando terno escuro e gravata. 

Posts enganam ao exibir um gráfico que põe Lula com 75% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 25% na pesquisa AtlasIntel suspensa pelo ministro Nunes Marques, presidente do TSE, na segunda (8).

Na realidade, o levantamento divulgado em 19 de maio mostrou o petista com 47% e o senador com 34,3% das intenções de voto no primeiro turno das eleições presidenciais deste ano.

Na pesquisa anterior, de abril, o presidente tinha 46,6% e o parlamentar, 39,7% da preferência do eleitorado. Ou seja, entre um levantamento e outro, Flávio Bolsonaro recuou mais de cinco pontos percentuais.

A queda pode ter sido influenciada pela divulgação do áudio em que ele negocia o repasse de parte dos R$ 134 milhões prometidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na segunda-feira (8), o ministro Nunes Marques determinou a suspensão da pesquisa após um pedido apresentado pelo PL. A legenda argumentou ao TSE que o questionário induziria respostas negativas sobre Flávio Bolsonaro.

Segundo o partido, 8 das 49 perguntas tratavam diretamente do caso Master e foram mostradas em sequência, o que poderia influenciar a percepção dos entrevistados. O PL também sustentou que o áudio revelado pelo Intercept Brasil não deveria ter sido utilizado na pesquisa por não haver prova de sua autenticidade.

Em nota, a AtlasIntel informou que respeita a decisão do ministro e está colaborando com a Justiça. O instituto também disse que o áudio não foi reproduzido aos participantes durante a aplicação dos questionários.

Na decisão, Nunes Marques argumenta que a progressão das perguntas “produz contexto, não mera medição”, o que poderia comprometer o resultado do levantamento e estimular “manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo”.

A decisão foi tomada monocraticamente pelo ministro e seria levada ao plenário do TSE nesta terça-feira (9), mas a sessão foi adiada a pedido da ministra Estela Aranha, que solicitou mais prazo para avaliar o caso.

A suspensão permanece em vigor até a retomada do julgamento, mas ainda não há data para isso.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou informações sobre o levantamento da AtlasIntel divulgado em 19 de maio e confirmou que os números mostrados pelo gráfico foram alterados.

A reportagem complementou a checagem com informações sobre a decisão do TSE.

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