Não é verdade que a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) na última segunda-feira (13) para condenar a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), por corrupção e lavagem de dinheiro. Os posts enganosos compartilham como se fosse recente uma reportagem veiculada em 2017. No ano seguinte, Gleisi foi absolvida pelo Supremo.
As peças enganosas acumulavam 300 mil visualizações no TikTok e centenas de visualizações no Kwai, além de centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (16).
A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal a condenação e a perda do mandato da senadora paranaense Gleisi Hoffmann, presidente do PT, por corrupção e lavagem de dinheiro. 13/10/2025.

Posts nas redes têm compartilhado como se fosse recente uma reportagem do SBT de 2017 (veja abaixo) que noticiava um pedido da PGR para condenação da então senadora Gleisi Hoffmann, de seu marido na época, o ex-ministro Paulo Bernardo, e do empresário Ernesto Rodrigues por corrupção e lavagem de dinheiro.
Na ocasião, a PGR acusava os três de envolvimento em um suposto desvio de R$ 1 milhão da Petrobras. De acordo com a acusação, o dinheiro teria sido usado para financiar a campanha de Gleisi ao Senado em 2010.
A denúncia foi aceita pela Segunda Turma do STF em setembro de 2016. Em novembro de 2017, data em que foi ao ar a reportagem do SBT, a então procuradora Raquel Dodge apresentou à corte suas alegações finais — última fase do processo antes da sentença.
Na época, Dodge pediu também o pagamento de multa e a cassação da então senadora.
Em junho de 2018, o STF absolveu os três réus por entender que a procuradoria não apresentou provas que corroborassem as informações fornecidas em colaborações premiadas. Gleisi Hoffmann disse na época que sua campanha foi financiada com recursos legais.
Denúncia rejeitada. Em 2023, o STF rejeitou uma outra denúncia apresentada pela PGR contra Gleisi e Paulo Bernardo por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dessa vez envolvendo a construtora Odebrecht.
Fatos ocorridos após a apresentação da denúncia fizeram com que a própria procuradoria mudasse de posicionamento e passasse a se manifestar contra o prosseguimento do caso.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa, Aos Fatos rastreou a origem do conteúdo compartilhado pelas peças de desinformação e identificou que se trata de um vídeo do SBT de 2017. A data e o contexto foram confirmados em arquivos jornalísticos e registros do Supremo.
A equipe também consultou decisões do STF, comunicados da PGR e notícias entre 2016 e 2025, confirmando que não houve novo pedido de condenação. O cruzamento dos dados mostrou que os posts reutilizavam material antigo fora de contexto.




