Papa Leão 14 não afirmou que transexualidade é doença

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Não é verdade que o papa Leão 14 afirmou publicamente que a transexualidade é “uma doença que deve ser diagnosticada e necessita tratamento”. Aos Fatos não encontrou registros da fala na imprensa ou nos canais oficiais do Vaticano. É fato, porém, que o pontífice já fez declarações contrárias à comunidade LGBTQIA+.

Publicações com o conteúdo falso acumulavam centenas de compartilhamentos no Facebook e no X até a tarde desta quinta-feira (22).

Papa Leão XIV é crítico severo da comunidade LGBT e da transexualidade: ‘A transexualidade é uma doença que deve ser diagnosticada e necessita tratamento’

A imagem é dividida em duas partes. Na parte superior, há um texto escrito: ‘Papa Leão XIV é crítico severo da comunidade LGBT e da transexualidade: ‘A transexualidade é uma doença que deve ser diagnosticada e necessita tratamento’. Na parte inferior esquerda, há a foto do papa Leão 14, um homem idoso trajando vestes papais, incluindo um solidéu branco e óculos, acenando com a mão e sorrindo levemente. À direita, há uma imagem de uma bandeira do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+, com um símbolo de proibição (um círculo vermelho com uma linha diagonal) sobreposto.

Publicações que circulam nas redes enganam ao alegar que o papa Leão 14 tenha afirmado publicamente que a transexualidade seria uma “doença diagnosticável” que exigiria tratamento. Apesar de o pontífice ter um histórico de críticas à comunidade LGBTQIA+, não há registros de que ele tenha dado tal declaração.

Aos Fatos buscou as palavras-chave da frase viral e não encontrou registros da suposta fala na imprensa ou nos canais oficiais do Vaticano.

Algumas publicações afirmam que a declaração teria ocorrido durante assembleia da USCCB (Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos) realizada em novembro de 2024, quando Robert Prevost ainda era cardeal. No entanto, ele sequer participou do evento.

Prevost, que adotou o nome de Leão 14 ao assumir o papado, não aparece em nenhuma das transmissões públicas da conferência de 2024 disponíveis no canal oficial da USCCB. Procurada pela reportagem, a organização confirmou, via assessoria de imprensa, que o agora papa não esteve presente no evento.

A assessoria reforçou ainda que Prevost atuou como bispo no Peru e, por isso, não poderia integrar a conferência episcopal dos EUA.

É fato, porém, que o novo papa já deu declarações contrárias à comunidade LGBTQIA+. Em 2012, ele lamentou que a mídia e a cultura ocidental promovessem “simpatia por crenças e práticas que estão em desacordo com o Evangelho”, citando diretamente o “estilo de vida homossexual” e “famílias alternativas compostas por parceiros do mesmo sexo e seus filhos adotivos”.

Mais recentemente, em 16 de maio deste ano, Leão 14 reiterou, em discurso para diplomatas no Vaticano, que a família, definida como a “união estável entre um homem e uma mulher”, é o alicerce para “sociedades civis harmoniosas e pacíficas”.

Esta peça de desinformação também foi checada pela AFP.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou as palavras-chave da frase viral e não encontrou registros da suposta declaração na imprensa ou nos canais oficiais do Vaticano.

Além disso, verificamos o site e as mídias sociais da USCCB para confirmar que o papa Leão 14 não esteve presente no evento, diferentemente do que afirmam alguns posts. Também entramos em contato com a assessoria de imprensa da conferência, que confirmou a não participação do agora pontífice.

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