Não é verdade que o papa Leão 14 declarou que todo o dinheiro ilícito encontrado no Banco de Roma será confiscado e doado para instituições de caridade. Aos Fatos não encontrou registros da fala na imprensa ou nos canais de comunicação do Vaticano. Além disso, o pontífice não tem qualquer autoridade sobre o Banco de Roma, uma antiga instituição bancária adquirida pela multinacional italiana UniCredit.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam milhares de curtidas no Instagram e de compartilhamentos no Facebook, além de centenas de visualizações no TikTok. As peças também circularam no WhatsApp, plataforma em que não é possível estimar o alcance dos conteúdos (fale com a Fátima).
Papa Leão XIV declara que todo dinheiro ilícito encontrado no Banco de Roma será confiscado e doado à instituições de caridade!

Publicações enganam ao afirmar que o papa Leão 14 declarou que irá confiscar todo o dinheiro ilícito depositado no Banco de Roma. Não há registros de declarações similares na imprensa ou nos canais de comunicação da Santa Sé.
Além disso, o pontífice é líder do Vaticano — um país independente que não possui poder sobre instituições da Itália, apesar de exercer influência sobre diversos aspectos socioculturais do país.
O Banco de Roma citado pelos posts desinformativos sequer está ativo. Fundada em 1880, a entidade, que chegou a ser uma das maiores instituições financeiras italianas do século 20, foi adquirida pela multinacional UniCredit em 2007.
O banco oficial da Santa Sé é o IOR (Instituto para as Obras de Religião), também conhecido como Banco do Vaticano. Ele é presidido por um diretor executivo ligado a um comitê de cardeais e ao papa, e tem como objetivo administrar os recursos do país, dos clérigos e aqueles destinados a obras religiosas e de caridade.
Ao longo dos anos, Aos Fatos já desmentiu uma série de publicações falsas sobre a instituição financeira.
O caminho da apuração
Aos Fatos consultou os canais oficiais da Santa Sé, como o Vatican News, em busca de pronunciamentos atribuídos ao papa Leão 14. Também foram realizadas buscas em veículos de imprensa internacionais e bases de dados públicas para verificar a existência de registros similares. Nenhuma menção à suposta declaração foi encontrada.
Além disso, a equipe verificou informações sobre a estrutura e funcionamento do sistema bancário do Vaticano e da Itália. Foram consultadas fontes institucionais para esclarecer o papel do Instituto para as Obras de Religião (IOR) e a situação do antigo Banco de Roma.




