Oxford não publicou estudo que atesta eficácia da ivermectina contra Covid-19

Por Priscila Pacheco

6 de outubro de 2021, 18h08

A Universidade de Oxford, no Reino Unido, não publicou qualquer estudo que comprove a eficácia da ivermectina contra a Covid-19, como afirmam posts nas redes (veja aqui). A instituição conduz atualmente duas pesquisas sobre eventuais efeitos do antiparasitário no tratamento da doença, mas ainda não há nem resultados preliminares. Um desses estudos está na fase de recrutamento de voluntários e deve ser concluído apenas em 2023.

Este conteúdo enganoso acumulava centenas de compartilhamentos em publicações no Facebook nesta quarta-feira (6).


Diferentemente do que alegam as postagens checadas, a Universidade de Oxford não publicou qualquer pesquisa que ateste a eficácia da ivermectina no tratamento da Covid-19. Aos Fatos verificou que atualmente há dois estudos conduzidos por cientistas da instituição britânica, mas nenhum deles ainda divulgou resultados.

Uma das pesquisas é desenvolvida com apoio do governo britânico, foi anunciada em junho e faz parte da plataforma de testes clínicos Principle. Na época do lançamento, Chris Butler, chefe-adjunto da iniciativa, comentou que o objetivo da investigação é gerar evidências robustas sobre o impacto da ivermectina no combate à Covid-19 — o que ainda não aconteceu. O Departamento de Ciências da Saúde de Cuidados Primários de Nuffield, de Oxford, disse que não há uma data definida para a divulgação de resultados.

A outra pesquisa é coordenada pela Universidade de Oxford na Faculdade de Medicina Tropical da Tailândia com o uso de ivermectina em pacientes com Covid-19, segundo o site ClinicalTrials, plataforma mundial de registro para ensaios clínicos. O estudo deve ser concluído apenas em agosto de 2023. Ao Aos Fatos, Nicholas White, um dos responsáveis pela pesquisa, disse que o recrutamento de voluntários começou apenas recentemente.

Artigo. Em julho deste ano, a Open Forum Infectious Diseases, revista científica ligada à instituição de ensino britânica, publicou uma metanálise de 24 estudos sobre o uso da ivermectina contra a Covid-19 que indicava resultados promissores da droga. O artigo, porém, era liderado por Andrew Hill, da Universidade de Liverpool, e só contava com uma cientista de Oxford, Victoria Pilkington, entre seus autores.

A revisão dos estudos concluiu que a ivermectina poderia reduzir em 56% a mortalidade pela doença, mas ressaltou que apenas após a conclusão de estudos clínicos maiores isso poderia ser atestado. Um mês após sua publicação, porém, os autores informaram que a metanálise considerou dados que se provaram fraudulentos, e a editora da revista afirmou que os resultados seriam corrigidos e republicados.

A ivermectina reduziu a carga viral do novo coronavírus apenas em experimentos em laboratório e em dosagens consideradas tóxicas para humanos. Além dos conduzidos por Oxford, há uma série de estudos em curso hoje que buscam avaliar o potencial da droga contra a doença, mas, até o momento, nenhuma pesquisa sólida demonstrou isso, segundo o biomédico microbiologista Matheus Falco, divulgador científico na Rede Análise Covid-19.

Além da OMS (Organização Mundial da Saúde), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a FDA (Food and Drug Administration, órgão regulador americano), a EMA (European Medicines Agency, da União Europeia) e a Merck, fabricante do medicamento nos EUA, não recomendam a ivermectina para tratar ou prevenir a Covid-19.

Referências:

1. Universidade de Oxford
2. Principal Trial
3. Clinical Trials
4. Open Forum Infectious Diseases (Fontes 1 e 2)
5. Scopus
6. Antiviral Research
7. OMS
8. Anvisa
9. FDA
10. EMA
11. Merck


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