ONU não determinou soltura imediata de Bolsonaro

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Não é verdade que a ONU (Organização das Nações Unidas) determinou a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como alegam posts. Aos Fatos constatou que não há notícia de medida nesse sentido nos canais oficiais da entidade ou na imprensa. Além disso, a organização não tem competência para anular decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) nem para ordenar a libertação de condenados.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 45 mil visualizações no YouTube, além de 1.500 interações no Facebook até a tarde desta quarta-feira (15).

ONU MANDOU SOLTAR EX PRESIDENTE! Decisão internacional acaba de sair agora… Moraes desesperado e a prisão arbitrária está em xeque.

A imagem é uma montagem gráfica em formato de miniatura de vídeo, com fundo escuro em tons de vermelho e preto. No topo, há um grande texto em letras amarelas e brancas que diz: 'REVIRAVOLTA TOTAL! ONU PEDE SOLTURA!'. A letra 'O' da palavra 'REVIRAVOLTA' contém o desenho de um alvo com um buraco no centro. Ao centro da montagem aparece um homem de cabelos grisalhos usando uma jaqueta escura, em primeiro plano, com duas bandeiras do Brasil parcialmente visíveis ao fundo. À esquerda, há outro homem de cabelos brancos usando terno escuro, diante de um fundo com o emblema da ONU. À direita, aparece um homem careca, também de terno, com expressão séria, diante de uma imagem do prédio do Supremo Tribunal Federal, onde se lê 'SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL'. Sobre a parte inferior da imagem há outro texto em destaque. Em letras brancas lê-se: 'PRISÃO ARBITRÁRIA!', e logo abaixo, em letras grandes amarelas, lê-se: 'MINISTRO FOGE DO STF!'. A montagem utiliza efeitos de brilho, contornos vermelhos ao redor das pessoas e pequenas faíscas espalhadas pelo fundo.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que a ONU determinou a soltura imediata do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Aos Fatos não localizou nenhuma medida similar nos canais oficiais da organização ou na imprensa. Além disso, a entidade não tem competência para anular decisões do STF nem para determinar a libertação de condenados.

Os comitês da ONU podem recomendar medidas aos Estados signatários, mas isso não obriga o país a adotar as sugestões. Dentro das Nações Unidas, somente o Conselho de Segurança tem autoridade para aprovar resoluções obrigatórias em determinados casos, como ameaças de paz. Porém, isso não inclui a soltura de um preso.

É fato que a defesa de Bolsonaro já considerou a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais como o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas. Porém, isso não significa que o órgão tenha analisado o caso ou emitido qualquer decisão sobre o ex-presidente.

Não há até o momento manifestação do Comitê de Direitos Humanos da ONU sobre um pedido deste tipo (veja aqui).

Uma situação similar ocorreu em maio de 2016, quando a defesa do então ex-presidente Lula (PT) levou ao Comitê de Direitos Humanos uma queixa contra supostas violações de direitos cometidas durante a Operação Lava Jato, que resultou na prisão do petista.

Os advogados alegaram que o então juiz, hoje senador, Sergio Moro (PL-PR) havia violado garantias como o direito à privacidade, à presunção de inocência e à proteção contra prisão arbitrária.

Após quase seis anos, o Comitê concluiu, em abril de 2022, que Lula teve direitos previstos no pacto internacional violados no processo criminal. O órgão recomendou ao Estado brasileiro medidas para reparar essas violações e evitar que situações semelhantes voltassem a ocorrer.

A decisão, porém, não anulou atos da Justiça brasileira nem produziu efeitos jurídicos imediatos no país.

O Comitê de Direitos Humanos da ONU foi criado para monitorar o cumprimento do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1966, durante o período da ditadura no Brasil. O país aderiu ao tratado em 1992 e reconheceu a competência do Comitê para analisar petições individuais.

Além de acompanhar a implementação do pacto pelos países signatários, o órgão pode receber denúncias de pessoas que alegam ter tido direitos previstos no tratado violados.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou buscas nos canais oficiais da ONU e do Comitê de Direitos Humanos e não encontrou qualquer comunicado determinando a soltura de Jair Bolsonaro.

A reportagem também analisou o processo apresentado pela defesa do presidente Lula ao mesmo Comitê em 2016 e a decisão proferida pelo órgão em 2022, a fim de ilustrar como funciona esse tipo de procedimento e seus efeitos jurídicos.

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