Não é verdade que a OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu um alerta sobre um possível surto global de infecções pelo vírus Nipah após o Carnaval. Em comunicados oficiais, a entidade informou que a chance de disseminação do patógeno é baixa. O Ministério da Saúde brasileiro também afirmou que monitora a situação e que, até o momento, o vírus não representa risco para a população brasileira.
As peças enganosas somavam centenas de compartilhamentos no Facebook e centenas de visualizações no X e no Threads até a tarde desta sexta-feira (30).
OMS alerta para risco global de Nipah após Carnaval.

Posts nas redes mentem ao afirmar que a OMS emitiu um alerta de risco global de disseminação do Nipah após o Carnaval. A informação não consta em nenhum comunicado publicado pela entidade, que, inclusive, afirmou nesta semana que a probabilidade de o vírus se espalhar pela Índia ou por outros países é baixa.
Com base nas evidências atuais, o escritório da OMS na Índia também afirmou não ser necessária a imposição de medidas como restrições de viagens e de comércio ao país asiático.
Em coletiva de imprensa realizada em Genebra, na Suíça, nesta sexta (30), Anais Legand, funcionária do Programa de Emergências de Saúde da OMS, voltou a afirmar que o risco de propagação do vírus é baixo.
Ela acrescentou que nenhuma das 190 pessoas que entraram em contato com os dois pacientes comprovadamente infectados na Índia testou positivo ou desenvolveu sintomas da doença.
A OMS também afirmou à Reuters que a Índia tem capacidade de conter surtos do vírus e que ainda não há evidências de aumento na transmissão de pessoa para pessoa.
Em nota publicada nesta sexta (30), o Ministério da Saúde brasileiro reforçou que o Nipah não representa atualmente uma ameaça ou risco à população brasileira.
Especialistas consultados por Aos Fatos também avaliaram que o potencial de disseminação do vírus é menor do que o de patógenos respiratórios, como o que causa a Covid-19.
O infectologista Benedito Fonseca, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e professor da USP (Universidade de São Paulo), afirmou em reportagem anterior, por exemplo, que fatores ambientais, culturais e as formas de transmissão limitam o alcance da doença no Brasil.
“Casos do Nipah no país só ocorrerão se uma pessoa com a doença se deslocar da Índia (no momento atual, mas também de outras regiões da Ásia com possível circulação deste vírus, como Bangladesh e Malásia) para o Brasil, pois o período da infecção até o aparecimento dos sintomas pode demorar de 4 a 14 dias.”
O especialista ressaltou que essa janela de tempo é suficiente para que uma pessoa viaje entre regiões do planeta sem apresentar sintomas ou um quadro grave da doença. Como a infecção pode ser transmitida por secreções respiratórias, o contágio interpessoal não pode ser descartado.
Até o momento, não há registro de casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo vírus Nipah no Brasil ou em outros países da América do Sul.
O caminho da apuração
Aos Fatos verificou comunicados oficiais e declarações públicas da OMS sobre o vírus Nipah. A reportagem também conferiu notas divulgadas por autoridades de saúde mencionadas no texto.
Em seguida, analisamos falas de representantes da OMS em coletivas de imprensa e declarações institucionais sobre risco de disseminação, além de consultar reportagens anteriores para inserir a opinião de especialistas sobre o potencial de transmissão do vírus.




