REPRODUÇÃO/YOUTUBE/O GLOBO

O que se sabe sobre o atentado a Cristina Kirchner

Por Marco Faustino

2 de setembro de 2022, 16h24

A vice-presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, sofreu uma tentativa de assassinato na porta de sua casa, em Buenos Aires, na noite de quinta-feira (1°). O suspeito, que não atingiu o objetivo porque a arma de fogo que portava não disparou, é um brasileiro de 35 anos que vive desde a década de 1990 no país vizinho e tem antecedentes criminais.

Confira abaixo o que se sabe do ataque e o que há de desinformação sobre o caso nas redes sociais.

  1. Como foi o atentado?
  2. Quem é o autor do ataque?
  3. Qual desinformação circula sobre o caso?

1. COMO FOI O ATENTADO?

A vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, cumprimentava apoiadores em frente à sua casa, no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, na noite de quinta, quando um homem apontou e apertou o gatilho de uma arma de fogo em sua direção, mas a arma não disparou. O atentado foi registrado por equipes de TV que filmavam as manifestações de apoio no local em razão de uma ação judicial que pede a prisão e cassação da vice-presidente.

O homem tentou fugir, mas foi detido por pessoas que estavam no local. Ele foi preso e levado para uma delegacia na capital argentina.

Presidentes de Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai criticaram o atentado, assim como políticos de oposição no país, como o ex-presidente Maurício Macri. O papa Francisco, que é argentino, também enviou mensagem à política, em que diz que reza para que o respeito aos “valores democráticos” prevaleça.

No Brasil, os presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Simone Tebet (MDB), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), manifestaram solidariedade à Kirchner em suas redes sociais e criticaram a violência política. Questionado na tarde desta sexta sobre o atentado, o presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), lamentou o ocorrido, mas disse que é um “risco que todo mundo corre”.

2. QUEM É O AUTOR DO ATAQUE?

A polícia argentina confirmou que o suspeito da tentativa de homicídio é o brasileiro Fernando Sabag Montiel, de 35 anos, que vive na Argentina desde 1993. Em março de 2021, ele foi detido ao portar uma faca de 35 centímetros em Buenos Aires, onde vive. Segundo o jornal argentino Clarín, o brasileiro afirmou na época que usava o objeto para se defender, mas foi autuado pelo porte da arma. O jornal afirma que o suspeito era motorista de aplicativo.

Na manhã desta sexta-feira (2), a Polícia Federal da Argentina apreendeu ao menos cem munições, um notebook, além de documentos pessoais em um endereço ligado ao suspeito. O inquérito está sendo conduzido pela juíza federal María Eugenia Capuchetti e pelo promotor Carlos Rívolo.

As redes sociais do suspeito foram apagadas logo após o atentado. De acordo com informações do Clarín e do jornal O Globo, o suspeito curtiu páginas como Comunismo Satânico, Ciências Ocultas Herméticas e Coach Antipsicopata, além de grupos de ódio ligados à ideologia neonazista, por meio de seu perfil no Facebook.

3. QUAL DESINFOMAÇÃO CIRCULA SOBRE O CASO?

Não tardou para que publicações enganosas sobre o caso surgissem nas redes brasileiras. A primeira delas afirma que o autor do atentado é um apoiador do presidente Jair Bolsonaro ao compartilhar um tuíte de um usuário chamado Fernando Andrés, o que é falso. Apesar de terem o primeiro nome igual, o usuário do Twitter não tem relação com o atentado, possui características faciais diferentes do suspeito e mora em Rosário, cidade a 300 quilômetros da capital argentina. O perfil de Andrés foi apagado.

Comparativo entre o usuário Fernando Andrés e Fernando Sabag
Comparativo. Fernando Andrés (à esq.), que não tem relação com o atentado, e Fernando Sabag Montiel (à dir.), suspeito de tentar assassinar Cristinar Kirchner

Monitoramento do Radar Aos Fatos detectou publicações que compartilhavam prints de um suposto perfil no Instagram atribuído a Fernando Sabag Montiel, e que alegavam que o suspeito do ataque seria militante do PT, o que não há comprovação até o momento. O perfil foi apagado.

Também circulam nas redes sociais teorias de que o atentado teria sido falso, ou seja, uma operação conhecida pelo termo “bandeira falsa”, quando uma situação é forjada para culpar um adversário. Nesse sentido, algumas publicações alegam que o veículo de imprensa argentino C5N teria publicado uma notícia sobre o atentado horas antes de ele ter ocorrido, o que é falso.

Na realidade, conforme verificado pela agência argentina Chequeado, a primeira notícia sobre o atentado publicada pelo C5N foi às 21h37, logo após o incidente. Informações contidas no código-fonte da página, que pode ser consultado publicamente, confirmam o horário da publicação. Guillermo Gammacurta, diretor do site, reiterou a informação.

O erro ocorre quando é feita uma pesquisa pela notícia no Google, onde ela aparece como se tivesse sido publicada horas antes. A discrepância sobre o horário se explica por uma falha na configuração do fuso horário do site, como informado pelo programador Maximiliano Firtman. Ele apontou que o problema também ocorre com outros sites de notícias.

A explicação de Firtman foi corroborada por John Mueller, líder de relações públicas da Busca do Google. “Na maioria das vezes, quando vejo isso acontecer, é porque o fuso horário foi especificado incorretamente (ou ausente) na página ou o Google processou incorretamente o fuso horário fornecido", disse Mueller.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2, 3
2. DW
3. Folha de S.Paulo
4. CNN Brasil
5. Twitter (Fontes 1, 2, 3, 4, 5 e 6)
6. Telam
7. Clarín
8. Gaúcha ZH (Fontes 1 e 2)
9. O Globo
10. Web Archive
11. UOL
12. C5N
13. Chequeado

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