Agência Petrobras

🕐 Esta reportagem foi publicada há mais de seis meses

O que é fato (e o que ainda não é) na acusação de Machado contra Temer

Por Bárbara Libório e Tai Nalon

15 de junho de 2016, 18h27

Em delação premiada, o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, afirmou que, em 2012, foi procurado pelo então senador e presidente do PMDB, Valdir Raupp, que lhe disse que Michel Temer necessitava de ajuda para o financiamento da campanha do secretário municipal de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, então peemedebista, à Prefeitura de São Paulo.

No documento, ele diz que chegou a se encontrar com Temer, em setembro daquele ano, e que viabilizou ao PMDB uma doação de R$ 1,5 milhão através da construtora Queiroz Galvão — segundo ele, “o valor, na realidade, é oriundo de pagamento de vantagem indevida pela Queiroz Galvão, de contratos que ela possuía junto a Transpetro”.

Aos Fatos foi às bases do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para saber se é possível comprovar se houve tal repasse à campanha de Chalita em 2012. Não é.

Fonte: Ministério Público Federal

A reportagem checou as doações da construtora Queiroz Galvão ao PMDB, bem como os repasses da direção nacional do partido ao candidato do partido à Prefeitura de São Paulo.

Aos Fatos verificou que, no dia 28 de setembro de 2012, a construtora fez uma doação de R$ 1,5 milhão à direção nacional do partido. No mesmo dia, a direção repassou R$ 1 milhão a Chalita. Quatro dias depois, no dia 2 de outubro, mais R$ 500 mil.

Veja os detalhes das doações em nossa tabela detalhada

Não é possível afirmar com certeza, no entanto, que o R$ 1,5 milhão doado ao PMDB pela Queiroz Galvão é o mesmo recebido por Gabriel Chalita entre o fim de setembro e o início de outubro. Isso porque, segundo os dados do TSE e a prestação de contas do PMDB, Gabriel Chalita recebeu da direção nacional do PMDB R$ 10 milhões em 16 repasses feitos de julho a outubro. Desse valor, R$ 4,9 milhões foram feitos em setembro e outubro.

Já a direção nacional peemedebista recebeu R$ 11,8 milhões em doações da construtora Queiroz Galvão entre os meses de agosto e outubro — R$ 8,1 milhões em setembro e outubro de 2012, período citado por Machado. Nesses repasses, não há qualquer tipo de referência à procedência e à sua finalidade.

O caso Raupp. Machado também afirma, em sua delação, que conseguiu o valor de R$ 500 mil reais para Raupp por meio da doação da empresa Lumina Resíduos Industriais. No entanto, não foi possível encontrar a empresa no banco de dados de doadores do TSE. A Lumina é subsidiária da Odebrecht, envolvida no escândalo da Lava Jato.

Além disso, o ex-presidente da Transpetro diz que em 2010 já havia conseguido R$ 350 mil para Raupp, mas com uma doação da Queiroz Galvão ao diretório nacional do PMDB. Checamos que, em 2010, a Queiroz Galvão doou 4,3 milhões à direção nacional peemedebista — nenhuma doação, no entanto, teve o exato valor de R$ 350 mil.

Outro lado. Em nota oficial, Temer afirma que “é absolutamente inverídica a versão de que teria solicitado recursos ilícitos ao ex-presidente da Transpetro” e que sempre manteve apenas relacionamento formal com Machado.

Chalita ainda não se manifestou publicamente. Ao jornal Folha de S.Paulo, negou qualquer contato com Machado nem tem conhecimento de pedido de propina em seu nome.

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