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Novo não integra conselho político com partidos de esquerda contra Bolsonaro

Por Luiz Fernando Menezes

2 de outubro de 2020, 12h58

É falso que o partido Novo se uniu a siglas de esquerda para formar um conselho político de oposição ao governo Bolsonaro, como afirmam publicações nas redes. A peça recicla uma desinformação que circulou em fevereiro que dizia que o deputado federal Vinícius Poit (Novo-SP) teria participado da criação do conselho durante um encontro do movimento Direitos Já - Fórum da Democracia, naquele mês. O deputado de fato estava presente no evento, mas tanto Poit quanto o movimento negam que ele tenha atuado na criação da frente.

A peça de desinformação (veja aqui) voltou a circular no Facebook nesta semana. Até a manhã desta sexta-feira (2), publicações do tipo acumulavam cerca de 6.000 compartilhamentos. Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


FALSO

Partido Novo se une a partidos de esquerda e criam conselho político anti-Bolsonaro. E o Novo era a alternativa…

Circula nas redes sociais uma informação falsa de que o Novo teria se aliado a partidos de esquerda para formar um conselho contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). As peças de desinformação atribuem um texto do site Notícias Brasil Online publicado em fevereiro como fonte. A reportagem diz que o deputado federal Vinícius Poit (Novo-SP) teria participado de uma reunião do movimento Direitos Já - Fórum da Democracia, que instalou um conselho político anti-Bolsonaro e organizou protestos contra o então ministro da Educação Abraham Weintraub.

Por mais que Poit, de fato, tenha participado da reunião, tanto o deputado quanto o partido negam qualquer união com legendas de esquerda. Segundo Poit, que publicou diversos desmentidos sobre o assunto (aqui e aqui), a decisão da formação da conselho foi feita sem sua participação: “Eu fui convidado para um debate, quando tem um debate, tem gente que pensa de forma diferente (...). Nesse debate, a gente falou sobre democracia, estado democrático de direito, eu defendi, inclusive, o diálogo, defendi a gente se unir em torno de pautas positivas para o Brasil, as reformas e por aí vai e saí antes porque eu tinha outro compromisso. Fui surpreendido que no finalzinho a turma que ficou se juntou e formou uma frente, que é essa porcaria dessa frente aí”.

O movimento Direitos Já, por meio de nota ao Aos Fatos, negou que Poit tenha ligação com a frente ou com a criação do conselho: “Ele [Poit] foi a uma única reunião, essa de formação do conselho, mas não aderiu ao movimento”. A assessoria da frente ainda disse que o deputado foi convidado para assistir a reunião por um dos integrantes, mas que não aderiu ao movimento.

A publicação, que viralizou nas redes sociais em fevereiro e em junho, voltou a circular nas redes após o Novo ter suspendido a candidatura do candidato à Prefeitura de São Paulo Filipe Sabará. O empresário então alegou que seria vítima de uma “ala esquerdista” dentro do partido composta por aliados do candidato derrotado à Presidência da República e fundador da legenda, João Amoêdo. Nesta quinta-feira (1º), no entanto, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) suspendeu a decisão que impedia Sabará de fazer campanha e pedir votos.

Outro lado. O Aos Fatos entrou em contato com um dos responsáveis pelo Notícias Brasil Online por e-mail para que ele pudesse comentar a checagem. O texto será atualizado no momento que a resposta for enviada.

Referências:

1. Estadão (Fontes 1 e 2)
2. Novo
3. Instagram (viniciuspoit)
4. Facebook (ViniciusPoit)
5. Folha de S.Paulo

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