Notícia sobre emails de Adélio Bispo é de 2018, não atual

Por Priscila Pacheco

13 de junho de 2022, 15h20

A descoberta pela PF (Polícia Federal) de seis contas de e-mail usadas por Adélio Bispo foi divulgada em 2018, e não recentemente, como dão a entender publicações nas redes sociais (veja aqui). As postagens compartilham fora de contexto o título de um texto publicado pelo site Conexão Política em 29 de setembro daquele ano. Os inquéritos já concluídos pela PF indicam que Adélio Bispo agiu sozinho. A investigação foi reaberta em novembro do ano passado, mas ainda não foram divulgadas atualizações.

As postagens enganosas contam com ao menos 1.000 compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (13).


Selo não é bem assim

10 de junho às 10:37. Pois nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada em segredo que não seja trazido à luz do dia. São Marcos, 4 - 22

Postagem destaca notícia sobre e-mails de Adélio Bispo de 2018 como se fosse atual

Postagens que circulam nas redes sociais enganam ao divulgar como se fossem novas as informações de que a “PF descobriu 6 contas de email de Adélio” e concluiu que “crime contra Bolsonaro foi arquitetado”. O título é de um texto publicado no site Conexão Política em 29 de setembro de 2018. Na época, o delegado da PF Rodrigo Morais Fernandes escreveu no inquérito que, além das seis contas de email, descobriu indícios “robustos” de que Bispo havia tomado uma decisão “prévia, reflexiva e arquitetada” para cometer o crime, sem o auxílio de terceiros.

O primeiro inquérito da PF analisou imagens e documentos presentes nos celulares e computadores de Bispo e escutou testemunhas. Ainda em setembro de 2018, a investigação foi encerrada, com a conclusão de que Bispo havia agido sozinho por “inconformismo político”. Na época, o segundo inquérito, sigiloso, já estava em andamento — foi finalizado em maio de 2020, com o mesmo desfecho.

Em novembro de 2021, a investigação foi retomada porque o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) liberou o acesso a informações obtidas em quebra de sigilo bancário do ex-advogado de Bispo, Zanone Júnior, e em operação de busca e apreensão no seu escritório. Em 2019, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) havia obtido liminar que impedia o uso do material. O Aos Fatos entrou em contato com a PF para saber o andamento da investigação, mas não obteve retorno.

Em maio de 2022, reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que Bispo deve passar por nova perícia psiquiátrica até julho. No dia 6 de junho, o TJ-MS (Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul) informou que tem indicações de psiquiatras forenses aptos a fazerem a perícia de Bispo, que segue no presídio federal de Campo Grande. Em 2019, um laudo havia concluído que Bispo tinha transtorno delirante persistente, logo, não poderia ser punido criminalmente.

Referências:

1. O Antagonista
2. G1 (Fontes 1, 2 e 3)
3. Poder 360 (Fontes 1 e 2)
4. Conjur
5. Folha de S. Paulo
6. TJ-MS
7. Conexão Política


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