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Nos conselhos administrativos e nas chefias de empresas, mulheres ocupam 6% dos assentos

Por Sérgio Spagnuolo

11 de março de 2016, 16h56

As mulheres permanecem fora dos processos de decisão dentro de grandes corporações brasileiras. Não só estão fora do comando, como também representam uma impressionante minoria nos principais cargos de diretoria e nos conselhos de administração das maiores empresas nacionais.

No mundo corporativo, dos 420 cargos executivos de destaque nas 57 empresas do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, apenas 27 são ocupados por mulheres — cerca de 6,5%, de acordo com levantamento realizado por Aos Fatos em parceria com o Volt Data Lab.

Os cargos avaliados, neste caso, são as diretorias executivas e estatutárias com designação específica — como as diretorias executiva, financeira, de recursos humanos, jurídica e de operações, entre outras.

Não há uma única mulher atualmente no comando executivo dessas companhias. Pouco mais de um ano atrás, as únicas em posição de liderança eram Maria das Graças Foster, na Petrobras, e Dilma Pena, na Sabesp — mas elas foram substituídas no comando das estatais no começo de 2015.

Nos conselhos de administração, cuja principal função é orientar e supervisionar a gerência executiva das empresas, essa relação também é desconcertante: dos 521 conselheiros efetivos atualmente, só 32 são mulheres — 6% do total.

Veja a tabela completa do levantamento aqui.

Há nessa categoria, no entanto, apenas um modesto alívio: uma solitária presidente de conselho, Ana Maria Marcondes Penido Sant'Anna, da CCR, empresa de concessões rodoviárias que tem como acionistas as construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.

A pesquisa analisou empresas de 11 setores que constam da lista do Ibovespa: construção (4 empresas), consumo (12), educação (2), energia e petroquímica (10), finanças (11), mineração (1), papel e celulose (3), siderurgia (4), telefonia (3), transportes (6) e água e esgoto (1).

O setor financeiro foi o que mais contou com executivas e conselheiras, com 10 e oito mulheres, respectivamente. O ramo de consumo ficou em segundo, com sete diretoras e oito conselheiras.

Em 2010, a professora Regina Madalozzo, do Insper, publicou um estudo analisando a liderança de 370 empresas no Brasil, somando um faturamento líquido de R$ 1,12 bilhão. Percebeu-se que apenas 7,8% delas possuíam uma mulher como chefe executiva (CEO).

A partir da construção de modelos estatísticos, o estudo de Madalozzo constatou que, nas empresas que possuíam conselhos administrativos, havia menos chances de o CEO ser uma mulher.

Comparativo internacional. Uma reportagem do Upshot, site de jornalismo de dados do New York Times, mostrou no ano passado que há menos mulheres chefiando companhias do índice norte-americano S&P 1.500 do que homens cujo primeiro nome é John, Robert, William ou James.

Essa proporção de nomes masculinos x total mulheres nas empresas foi nomeada de “Índice de Teto de Vidro”. Quando se trata dos conselhos de administração, esse índice cai bastante, segundo o Upshot.

"A maioria das companhias entende que um conselho composto apenas por homens causa má impressão, então a maioria delas nomeia pelo menos uma mulher, embora apenas uma minoria se dê ao trabalho de indicar mais do que uma", disse o repórter Justin Wolfers.

A ABC FactCheck, plataforma de checagem de fatos na Austrália parceira deAos Fatos por meio da International Fact-Checking Network, também fez levantamento semelhante. Constatou, em outubro de 2015, que empresas chefiadas por homens chamados Peter, Andrew, Michael ou David são quatro vezes mais frequentes do que lideradas por mulheres.

Pesquisa da OIT divulgada em março de 2015 ressaltou que, embora tenha havido progresso nos últimos anos, ainda há poucas mulheres no comando de empresas. "E, quanto maior for a companhia ou organização, é menos provável que seja liderada por uma mulher", disse o relatório.

As mulheres gerenciam mais de 30% das companhias, mas a grande maioria é de pequenos e médios negócios, segundo a OIT. Menos de 5% dos CEOs das maiores empresas do mundo são mulheres. Nos conselhos de administração, elas detêm apenas 19% dos assentos globalmente.

Segundo o levantamento, os motivos que explicam essa realidade incluem cultura de discriminação, leis ou culturas matrimoniais ou de herança, falta de acesso a mecanismos financeiros e mobilidade limitada às redes de trabalho.

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