Nobel de Medicina não disse que novo coronavírus foi criado pela China

Por Luiz Fernando Menezes

28 de abril de 2020, 18h28


É falso que o imunologista da Universidade de Kyoto Tasuku Honjo disse que o novo coronavírus (Sars-CoV-2) não tem origem natural e que foi fabricado pela China, como afirmam publicações que circulam nas redes sociais (veja aqui). Em nota da instituição, o prêmio Nobel de Medicina de 2018 disse que seu nome tem sido usado para espalhar desinformação sobre a origem do vírus. Além disso, Aos Fatos não encontrou nenhum registro na imprensa internacional de que Honjo tenha falado algo semelhante sobre o coronavírus.

Postagens com o conteúdo enganoso circulam no mundo todo, principalmente nas línguas inglesa, francesa, espanhola e hindi. No Brasil, o texto circula especialmente no WhatsApp, onde foi enviado por leitores do Aos Fatos como sugestão de checagem (inscreva-se aqui). Há ainda reproduções do texto em publicações no Facebook que reúnem centenas de compartilhamentos na tarde desta terça-feira (28) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação disponibilizada pela rede social (saiba como funciona).


FALSO

O professor japonês de fisiologia ou medicina, professor Tasuku Honjo, causou uma sensação hoje na mídia dizendo que o vírus corona não é natural. se for natural, não terá afetado o mundo inteiro assim. Porque, dependendo da natureza, a temperatura é diferente em diferentes países. se fosse natural, só teria afetado países com a mesma temperatura que a China (...).

Circula nas redes, principalmente no WhatsApp, um texto que afirma que o imunologista Tasuku Honjo, vencedor do prêmio Nobel de Medicina de 2018, teria dito que o novo coronavírus não tem origem natural e que teria sido criado pela China. A peça de desinformação, no entanto, foi desmentida pelo próprio pesquisador nesta terça-feira (28).

Em nota, Honjo negou que tenha dito que o vírus foi fabricado: “fico muito triste por meu nome e o da Universidade de Kyoto terem sido usados ​​para espalhar falsas acusações e desinformação. Este é um momento para que todos nós, especialmente aqueles que dedicam suas carreiras aos pioneiros da pesquisa científica, trabalhemos juntos para combater esse inimigo comum”.

Aos Fatos também não encontrou nenhum registro na mídia internacional de que Honjo tenha feito tal declaração. Sobre o novo coronavírus, o pesquisador já salientou a importância da aplicação de testes na população e disse que os governos devem agir rápido para que as infecções não se alastrem. Nunca houve nenhuma menção sobre a origem do vírus.

A peça de desinformação traz ainda outra informação falsa. Segundo o texto, o professor trabalharia há quatro anos em um laboratório de Wuhan. Seu currículo, no entanto, disponível no site da Universidade de Kyoto, não cita a cidade chinesa. Atualmente, consta que Honjo ocupa o cargo de diretor-geral da universidade japonesa.

O conteúdo enganoso circulou também em inglês, francês, espanhol e hindi, tendo sido checado pelas equipes do News Checker, Snopes, Boom Live, Liberation, AFP e Colombia Check. No Brasil e em Portugal, o Boatos.org e o Observador já classificaram a história como FALSA.

Referências:

1. Galileu
2. Universidade de Kyoto (Fontes 1 e 2)
3. Japan Forward
4. Nikkei Asian Review