Não é verdade que a Nissan planeja fechar sete fábricas e demitir 20 mil funcionários no Brasil devido a medidas do governo Lula (PT), como sugerem posts nas redes. A montadora afirmou que teve um aumento de 40,58% no número de funcionários e que uma fábrica no Brasil recebeu investimentos bilionários. A marca, de fato, anunciou em maio de 2025 um plano de reestruturação, mas de abrangência global.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 50 mil interações no X, no Instagram e no Facebook até a tarde desta quarta-feira (26).
Nissan vai fechar 7 fábricas e anuncia demissão de 20 mil funcionários

Publicações nas redes enganam ao sugerir que a Nissan anunciou o fechamento de sete fábricas e a demissão de 20 mil funcionários no Brasil em razão de medidas econômicas do governo Lula. As peças reproduzem o título de uma notícia sobre cortes promovidos pela companhia, mas omitem que os números são globais e que a operação brasileira teve aumento no número de funcionários.
Procurada por Aos Fatos, a Nissan confirmou que a informação é antiga e se refere ao Re:Nissan, plano de recuperação anunciado em maio de 2025. Na ocasião, a montadora japonesa informou que reduziria de 17 para dez o número de fábricas de veículos até 2027 e cortaria 20 mil postos de trabalho em diferentes países e áreas da empresa.
Já no Brasil, a empresa teve aumento no número de funcionários. Dados publicados pela AutoData também mostram que a montadora empregava cerca de 3.374 funcionários em 2025, um aumento em relação aos 2.400 colaboradores em 2024.
Além disso, a empresa manteve no Brasil um plano de R$ 2,8 bilhões em investimentos, anunciado em 2023, para modernizar o complexo industrial de Resende (RJ).
Em junho de 2025, após o anúncio da reestruturação, executivos da Nissan reforçaram que a estratégia para o Brasil continuava sendo de crescimento. “Na Nissan, enxergamos o Brasil como uma grande oportunidade”, afirmou Christian Meunier, presidente da empresa nas Américas ao comentar sobre o plano.
Na quinta-feira (20), a companhia voltou a destacar a importância do Brasil em sua estratégia para a América Latina e anunciou o lançamento de seis modelos de carros na região nos próximos 12 meses. Desses, três são eletrificados.
Crise fabricada. Alegações de que empresas estão fechando fábricas, demitindo funcionários ou deixando o Brasil têm sido usadas de forma recorrente para alimentar uma narrativa de crise econômica durante o governo Lula.
Somente na primeira semana da campanha eleitoral, Aos Fatos desmentiu publicações que afirmavam que Nestlé, Lupo e Domino’s haviam fechado fábricas e lojas ou encerrado suas atividades no país.
A Nissan é mais uma empresa inserida nesse histórico. Só em 2026, Aos Fatos já checou conteúdos que alegavam, de forma enganosa, que:
- Cerca de 8.000 empresas teriam falido no Brasil apenas no mês de junho;
- Uma empresa teria demitido 4.000 funcionários nordestinos;
- A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, fechou uma fábrica no Brasil;
- A Volkswagen teria demitido 100 mil funcionários no país;
- A Toyota teria encerrado as atividades no Brasil;
- Mais de 200 empresas teriam deixado o país para se instalar no Paraguai;
- A Coca-Cola decidiu reduzir o tamanho das embalagens vendidas no Brasil;
- A Mercedes-Benz transferiu as operações do Brasil para a Argentina;
- A fábrica responsável por produzir itens das marcas Adidas, Nike e Umbro teria sido transferida para o Paraguai;
- A Amazon teria anunciado o encerramento das operações no Brasil;
- Que o país teria registrado um recorde de falências em 2025;
- Electrolux teria anunciado fechamento de fábrica e demissão em massa no Brasil.
O caminho da apuração
Inicialmente, Aos Fatos procurou a Nissan, que confirmou que a notícia se referia ao plano Re:Nissan, anunciado no ano passado. Em seguida, a reportagem consultou informações divulgadas pela montadora sobre a reestruturação global e os investimentos no país, além de declarações recentes de executivos da companhia sobre os planos para o mercado brasileiro e a América Latina.
Aos Fatos também recuperou outras peças de desinformação checadas em 2026 que associavam empresas a supostas demissões em massa, fechamentos de fábricas ou encerramento de atividades no país.





