É falso que Nikolas Ferreira teve direitos políticos cassados pelo MP Eleitoral

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Não é verdade que o Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais cassou os direitos políticos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), como alegam posts nas redes. Em nota, o órgão informou que denunciou o parlamentar e outras três pessoas por crimes eleitorais, mas que cabe à Justiça Eleitoral decidir sobre uma eventual punição, como a cassação de direitos políticos.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 13 mil curtidas no Instagram e mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (11), além de alcançarem centenas de usuários no X.

URGENTE. MP ACABA de CASSAR os direitos políticos do CHUPETINHA. Ele pode perder o seu MANDATO E SER PRESO A QUALQUER MOMENTO!!!

Print de post no X que mostra um homem branco, de cabelos pretos. Acima, há o título de uma notícia do UOL que diz: ‘MP Eleitoral pede suspensão de direitos políticos de Nikolas Ferreira’. No topo da publicação está a frase: ‘URGENTE. MP ACABA de CASSAR os direitos políticos do CHUPETINHA. Ele pode perder o seu MANDATO E SER PRESO A QUALQUER MOMENTO!!! #Compartilhem’.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que o Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais teria cassado os direitos políticos do deputado federal Nikolas Ferreira por crimes cometidos durante as eleições municipais do ano passado. Em nota, o órgão desmentiu a alegação e afirmou ter apenas oferecido uma denúncia contra o parlamentar. A decisão sobre eventuais punições cabe à Justiça Eleitoral.

Nikolas foi denunciado por disseminar desinformação contra o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD-MG), que disputou a reeleição no ano passado. Noman morreu em março deste ano, vítima de um câncer.

Outras três pessoas filiadas ao PL também foram denunciadas: os deputados estaduais Bruno Engler — candidato a prefeito na época — e Delegada Sheila, além da Coronel Claudia, candidata a vice na chapa de Engler.

A denúncia apontou que “o grupo disseminou intencionalmente informações que sabia ser inverídicas” contra Noman ao descontextualizar trechos do livro de ficção “Cobiça”, publicado pelo ex-prefeito em 2020.

Os políticos também foram acusados de atribuir “falsa imputação de responsabilidade” a Noman por “suposta exposição de crianças a conteúdo impróprio” durante o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, que contou com o apoio da prefeitura.

Às vésperas do segundo turno municipal, a Justiça Eleitoral determinou a remoção de uma propaganda eleitoral de Bruno Engler e de um vídeo publicado por Nikolas Ferreira que tiravam de contexto trechos da obra literária de Noman e tentavam associá-lo à pedofilia. A decisão fez com que os políticos atacassem a Justiça nas redes.

Os trechos descontextualizados eram de um relato de estupro coletivo sofrido por uma personagem aos 12 anos. A descrição foi usada por Ferreira e Engler para alegar que o então prefeito produzia conteúdo “erótico” e “pornográfico”. Devido à polêmica, a Justiça Eleitoral estendeu o horário eleitoral em Belo Horizonte por mais um dia.

O caminho da apuração

Aos Fatos acionou por email o Ministério Público Estadual de Minas Gerais, que negou ter cassado os direitos políticos do deputado federal Nikolas Ferreira. O órgão explicou que apenas fez uma denúncia formal, mas que a decisão final é atribuição da Justiça Eleitoral.

Foram consultadas também notícias publicadas pela imprensa sobre o caso envolvendo o livro “Cobiça”, de autoria de Noman.

Referências

  1. Ministério Público do Estado de Minas Gerais (1 e 2)
  2. g1 (1, 2 e 3)
  3. Estado de Minas
  4. Aos Fatos
  5. O Globo

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