A Nestlé não demitiu 16 mil funcionários, nem fechou duas fábricas ou encerrou a produção de KitKat no Brasil, como afirmam posts nas redes sociais. As unidades desativadas ficam na Europa, o corte de funcionários ocorre mundialmente e o chocolate continua sendo produzido no país.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 15.000 interações no X e no Instagram até a tarde desta quinta-feira (20).
Nestlé demite 16 mil funcionários, fecha 2 fábricas e encerra produção de KitKat

A Nestlé não demitiu 16 mil funcionários, fechou duas fábricas ou encerrou a produção de KitKat no Brasil. O corte de trabalhadores ocorre mundialmente e as duas unidades desativadas ficam na Hungria e Alemanha. Além disso, a produção do chocolate segue no interior de São Paulo.
A empresa, de fato, anunciou um plano global de redução de custos em outubro de 2025. No entanto, a demissão de 16 mil funcionários é uma estimativa mundial, não apenas para o Brasil. Para o Aos Fatos, a empresa disse que não divulga os números de desligamentos por país.

Além disso, as duas unidades desativadas ficam na Europa. Em março do ano passado, a empresa anunciou que iria fechar a fábrica de Neuss, na Alemanha, devido aos altos custos de produção. Já em julho de 2026, foi anunciado o encerramento, até o final do ano, da planta industrial de Diósgyőr, na Hungria, que produz apenas bonecos ocos de chocolate.
A Nestlé disse ao Aos Fatos que todas as 18 fábricas da companhia no Brasil seguem em funcionamento e que o país é a terceira maior operação da empresa no mundo.
Segundo o relatório anual de 2025, divulgado no site oficial da Nestlé, Brasil e Estados Unidos foram os países que mais impulsionaram o crescimento da empresa no continente americano. A companhia disse ainda que “mantém um plano de investimentos de R$ 7 bilhões no país até 2028, atualmente em plena execução”.
Também é falso que a produção de KitKat foi encerrada no Brasil. A marca disse ao Aos Fatos que o doce segue sendo produzido na unidade de Caçapava (SP).
Narrativa recorrente. Esta não é a primeira vez que publicações nas redes distorcem anúncios de fechamentos de plantas industriais, encerramento de atividades ou demissões em massa sem relação com o Brasil para sugerir uma saída de empresas do país durante o governo Lula (PT).
Apenas em 2026, Aos Fatos já desmentiu alegações de que:
- Uma empresa teria demitido 4.000 funcionários nordestinos;
- A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, fecharia uma fábrica no Brasil;
- A Volkswagen teria demitido 100 mil funcionários no país;
- A Toyota teria encerrado as atividades no Brasil;
- Mais de 200 empresas teriam deixado o país para se instalar no Paraguai;
- A Coca-Cola decidiu reduzir o tamanho das embalagens vendidas no Brasil;
- A Mercedez-Benz transferiu as operações do Brasil para a Argentina;
- A fábrica responsável por produzir itens das marcas Adidas, Nike e Umbro teria sido transferida para o Paraguai;
- A Amazon teria anunciado o encerramento das operações no Brasil;
- Que o país teria registrado um recorde de falências em 2025;
- E que a Electrolux anunciou fechamento de fábrica e demissão em massa no Brasil.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou informações sobre o fechamento de fábricas e demissões de funcionários da Nestlé no Brasil. Em seguida, a reportagem entrou em contato com a empresa.
Aos Fatos também consultou os relatórios fiscais e coberturas de anos anteriores sobre movimentações comerciais da corporação.





