Nem democratas nem imprensa interromperam contagem de votos nos EUA

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É falsa a informação de que o Partido Democrata e a imprensa teriam interrompido a contagem de votos da eleição americana na Pensilvânia e em outros quatro estados para favorecer o candidato Joe Biden, como se alega nas redes sociais (veja aqui). A imprensa e os partidos não têm poder para definir as regras nem o ritmo das apurações. No caso dos partidos, os candidatos podem ir à Justiça contra alguma etapa. Até o momento, foi o presidente Donald Trump – e não o democrata – quem entrou com ações em três estados (Pensilvânia, Geórgia e Michigan) pedindo interrupção da contagem dos votos.

Publicações com a informação enganosa acumulavam mais de 2.500 compartilhamentos e foram marcadas pelo Aos Fatos com o selo FALSO na ferramenta de verificação (entenda como funciona).


FALSO

PARTIDO DEMOCRATA E IMPRENSA INTERROMPERAM CONTAGEM DE VOTOS NO MOMENTO QUE TRUMP VIROU O PLACAR E IRIA COMEMORAR A VITÓRIA. TRUMP ESTÁ VENCENDO NA PENSILVÂNIA E MAIS 4 ESTADOS CHAVES. BLOQUEARAM CONTAGEM PARA EVITAR DERROTA DO BIDEN. TRUMP FEZ MAIORIA NA CÂMARA E SENADO.

Diferentemente do que sugerem publicações que circulam nas redes sociais, é falso que a contagem de votos das eleições americanas foi interrompida por decisão do Partido Democrata e da imprensa. A imprensa apenas divulga os resultados coletados nas comissões eleitorais locais. Nem os veículos de comunicação nem os partidos têm nenhum poder para definir as regras e o ritmo das contagens dos votos.

No caso dos partidos, os candidatos podem entrar na Justiça contra alguma etapa. Até o momento, foi o presidente Donald Trump – e não o candidato democrata – quem entrou com ações em três estados (Pensilvânia, Geórgia e Michigan) pedindo interrupção da contagem dos votos.

Nos Estados Unidos, não existe nenhuma lei federal que obrigue a apuração ininterrupta dos votos. Cada estado define as regras que regulamentam o processo eleitoral, incluindo o de apuração. Assim, nada impede que os oficiais eleitorais decretem uma paralisação durante a noite e continuem a contagem no dia seguinte, como ocorreu em Nevada e na Geórgia, por exemplo.

Na Pensilvânia, algumas regiões do estado, como o condado de Allegheny, de fato pausaram a contagem durante a noite e a retomaram na manhã seguinte. Outras regiões, como Filadélfia e Montgomery, no entanto, continuaram a contabilizar os votos durante a madrugada.

O prazo para terminar a apuração também varia entre os estados. Seis estados preveem contar os votos até dia 10 de novembro, outros 40 têm prazo entre 10 de novembro e 11 de dezembro. Quatro estados nem sequer têm um prazo estabelecido para concluir a contagem.

Em nenhuma eleição americana os votos foram calculados no mesmo dia do pleito. Nesta eleição, um fator que contribui para a lentidão na apuração é a votação recorde pelos correios, por conta da pandemia do novo coronavírus. Foram 65,3 milhões de votos pelo correio, três vezes mais do que nas eleições de 2016. A Comissão Eleitoral da Pensilvânia, por exemplo, já havia alertado que não conseguiria divulgar resultados no dia da eleição devido à grande adesão de eleitores e ao recorde de votos por correio. Além disso, o estado é um dos que está aceitando votos que foram postados no dia das eleições (3), mas chegarão depois.

Outra informação falsa é que a interrupção da contagem dos votos estaria relacionado à liderança de Trump. Oscilações na liderança durante a apuração são normais. Na noite de terça-feira (3), Trump realmente estava liderando a votação no estado da Pensilvânia desde quando 20% dos votos estavam apurados. Naquele momento, no entanto, havia pouco votos apurados em redutos democratas como Filadélfia, os subúrbios da Filadélfia e Pittsburgh, em que houve mais envio de votos por correio. Até a última atualização, no final da tarde desta quinta-feira (5), quando 92% dos votos tinham sido computados, o republicano estava com 50,3% dos votos, contra 48,5% de Biden.

Além disso, em alguns estados em que houve virada na corrida eleitoral, não foi registrada nenhuma interrupção na contagem dos votos, como é o caso de Wisconsin e Michigan. Nos dois estados, até a última atualização, foram apurados 98% do votos, e Biden lidera.

Maioria. Até o momento da publicação desta checagem, a imprensa internacional ainda não havia consolidado a maioria de nenhum dos partidos no Senado nem na Câmara dos Deputados. Na primeira Casa, a AP indicava que os republicanos teriam conseguido 18 cadeiras, completando assim 48. Cinco estados, no entanto, ainda estão com a votação em aberto e indicam liderança do candidato republicano. Para se ter maioria, é necessário chegar a 51.

Já na Câmara dos Deputados, quem está mais próximo de compor a maioria são os Democratas. Segundo a AP, eles teriam garantido 208 cadeiras, contra 190 do Partido Republicano. Das 435 vagas, a agência considera ainda que 37 estão em disputa.

A Agência Lupa e o Estadão Verifica também desmentiram a peça de desinformação.

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