Não é de Mourão fala sobre investigação de mandantes da facada em Bolsonaro

Por Priscila Pacheco

2 de fevereiro de 2022, 18h05

Não é verdade que o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse “parem com a embromação e apresentem logo os mandantes do atentado contra Bolsonaro”, como alegam postagens nas redes sociais (veja aqui). Aos Fatos não localizou registros de que ele tenha dado declarações semelhantes desde 2018, quando a publicação começou a circular na internet, e a Vice-Presidência desmentiu a autoria da fala.

Publicações com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 4.900 compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (2).


Selo falso

General Hamilton Mourão manda um recado: “Parem com essa embromação e apresentem logo os mandantes do atentado contra Bolsonaro. Se não resolverem isso agora, investigaremos por nossa conta assim que assumirmos o comando do país. Garanto que a punição será muito mais severa.”

Postagem traz fala falsa de Mourão sobre atentado a Bolsonaro

Circula desde 2018 nas redes sociais uma citação atribuída ao vice-presidente Hamilton Mourão de que as autoridades deveriam “parar com a embromação” e apresentar os mandantes do atentado contra o presidente Jair Bolsonaro, mas a declaração não foi dita por ele. Aos Fatos não encontrou na imprensa ou nas redes sociais registros de fala semelhante dele e a Vice-Presidência desmentiu a autoria em nota nesta quarta-feira (2).

Jair Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo em Juiz de Fora (MG) em 6 de setembro de 2018, durante a campanha eleitoral. Naquele dia, em entrevista coletiva, Mourão comentou que a polícia investigaria o caso, mas não disse nenhuma das frases atribuídas a ele na postagem checada.

No dia 10, em programa da rádio Jovem Pan, Mourão afirmou desconfiar que outras pessoas poderiam estar envolvidas no ataque, mas que não desejava acusar ninguém. Na ocasião, ele reforçou a existência de investigações em curso.

“Eu não quero acusar sem provas. Seria muito forte agora eu chegar e dizer, mas, na minha avaliação… O ministro [Raul] Jungmann andou falando por aí que é lobo solitário, que o cara é maluco, mas, para mim, existe mais gente. É uma coisa organizada. A Polícia Federal está investigando. Dados estão chegando. Existem muitas imagens daquele momento. Pessoas estão sendo levantadas ali. Suspeita-se que mais gente passou o instrumento, a arma que ele usou. Então, eu espero a investigação. Nós temos procurado manter um contato com a Polícia Federal de modo que a investigação prossiga e se chegue a uma conclusão. Seria leviano eu atribuir a A, B ou C. Eu não tenho esse dado”, disse.

Já em 11 de setembro, cinco dias após o atentado, Mourão criticou o excesso de exposição de Bolsonaro após a facada. "Esse troço já deu o que tinha que dar. É uma exposição que eu julgo que já cumpriu sua tarefa. Ele [Bolsonaro] vai gravar vídeo do hospital, mas não naquela situação, não propaganda. Vamos acabar com a vitimização, chega", disse.

Esta peça de desinformação começou a circular antes do primeiro turno das eleições de 2018, em 7 de outubro. A chapa de Bolsonaro e Mourão foi eleita em 28 de outubro.

Em novembro do ano passado, um dos inquéritos que investigam o ataque a Bolsonaro foi reaberto pela Polícia Federal para verificar se Adélio Bispo recebeu ajuda ou ordens de alguém ao cometer o atentado. Até o momento, as investigações apontam que o agressor agiu sozinho e que não houve mandante do crime.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2, 3 e 4)
2. O Antagonista
3. Jovem Pan
4. TSE
5. BBC Brasil


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