Não há registros de que Trump ameaçou Moraes caso ele ‘encoste’ em Eduardo Bolsonaro

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Não há registros públicos de que o presidente americano Donald Trump disse que iria “tomar providências imediatas” caso o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes punisse o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em busca na imprensa e nas redes, Aos Fatos não identificou nenhuma declaração semelhante.

A peça de desinformação acumulava ao menos 3.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (11).

TRUMP declara autoridades próximas a ele em seu governo: se Alexandre de Moraes tocar em Eduardo Bolsonaro, tomaremos providências imediatas!!

Post no X com a legenda ‘URGENTE! TRUMP declara autoridades próximas a ele em seu governo: se Alexandre de Moraes tocar em Eduardo Bolsonaro, tomaremos providências imediatas!’; o post é ilustrado com uma foto de Donald Trump, homem loiro e com o rosto bronzeado, falando ao microfone.

Usuários nas redes têm atribuído a Donald Trump uma suposta ameaça ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo as peças de desinformação, o presidente americano teria dito que tomaria “providências imediatas” caso o magistrado “encostasse” no deputado federal Eduardo Bolsonaro. Não há, no entanto, registros públicos dessa fala ou de afirmações semelhantes feitas por integrantes do governo americano.

Em busca nas redes por termos semelhantes, Aos Fatos não identificou nenhum discurso ou publicação semelhante de Trump (aqui e aqui). No X, por exemplo, o presidente americano nunca citou “Moraes”, “Eduardo” ou sequer “Bolsonaro”.

No final de fevereiro, o chefe de Estado americano citou o deputado brasileiro em discurso durante o CPAC (Conservative Political Action Conference). Na ocasião, ele disse que Eduardo era seu “amigo” e mandou um “oi” para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Não houve nenhuma ameaça a Moraes durante o discurso.

Trump trava atualmente um embate com Moraes em meio a uma disputa judicial envolvendo o Rumble. A plataforma e a Trump Media acusam o ministro de censura e de invadir a competência da Justiça americana. Aos Fatos também não encontrou registros de falas de Trump sobre o caso.

Passaporte. A declaração apócrifa atribuída a Trump passou a ser compartilhada nas redes após Moraes ter enviado para análise da PGR (Procuradoria-Geral da República) o pedido de apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro.

No final de fevereiro, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) entrou com uma representação contra Eduardo com a alegação de que o filho do ex-presidente teria cometido crimes contra a soberania e as instituições brasileiras durante sua estadia nos EUA. Moraes foi designado relator do processo e, como é de praxe nessas situações, solicitou, no dia 2 de março, que a PGR se posicione sobre o caso.

Desde que a representação foi protocolada, não houve registros de que Trump tenha citado Eduardo Bolsonaro ou Moraes em suas falas e publicações nas redes.

O caminho da apuração

Aos Fatos procurou pela frase completa e por trechos da declaração nas redes e na imprensa americana, mas não encontrou nenhuma fonte confiável fora usuários que replicaram a alegação apócrifa. Também pesquisamos citações ao nome de Eduardo Bolsonaro nas falas de Trump.

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