Não há indícios de que uma empresa investigada por participação na fraude do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) teria pago o aluguel de jatinhos para o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Apesar de o inquérito da PF (Polícia Federal) estar sob sigilo, os nomes dos dois políticos não aparecem em nenhuma das reportagens publicadas sobre a investigação.
O vídeo com a informação falsa acumula milhares de visualizações no Kwai e no TikTok. A mentira também circula no Facebook.
Polícia Federal achou recibo na empresa que desviou 32 milhões do INSS de aluguel de jatinho em nome de Nikolas e Michele [sic]
![Print de vídeo do TikTok. No terço superior, aparece parte do rosto de um homem em ambiente escuro, parcialmente coberto por uma tarja vermelha com o texto ‘A CASA CAIU!’. Abaixo, em letras grandes, lê-se: ‘Polícia Federal achou recibo na empresa que desviou 32 milhões do INSS de aluguel de jatinho em nome de Nikolas e Michele [sic]’. Na parte inferior, há uma foto do deputado federal Nikolas Ferreira, jovem, de terno azul, posando ao lado de Michelle Bolsonaro, mulher branca de cabelos castanhos lisos com blazer verde xadrez. Ambos estão sorrindo em ambiente externo com pessoas ao fundo.](https://static.aosfatos.org/media/cke_uploads/2025/06/30/30-06-2025_fake-nikolas-michelle-inss-interna.png)
Um vídeo viral usa alegações sem fundamento para acusar o deputado federal Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de terem se beneficiado com os descontos indevidos nas aposentadorias e pensões decorrentes da fraude do INSS.
A peça de desinformação usa uma foto de Nikolas com Michelle que circulou junto de uma notícia intitulada “Turnê eleitoral de Michelle, Nikolas e Pontes custou quase R$ 10 milhões em jatinhos”.
A reportagem original, no entanto, afirma que as despesas com o transporte aéreo foram pagas pelo PL e aparecem na prestação de contas do partido, não havendo no texto qualquer menção a empresas implicadas na fraude do INSS.
Segundo o texto do PlatôBR, os gastos com jatinho foram feitos durante as eleições municipais do ano passado, quando Nikolas e Michelle viajaram a diversas cidades do Brasil para impulsionar candidaturas de prefeitos aliados do PL.
Os deslocamentos da ex-primeira-dama teriam custado R$ 4,8 milhões e os do deputado mineiro, R$ 3,3 milhões. Ainda segundo o PlatôBR, durante a campanha eleitoral, outros R$ 903 mil foram gastos em viagens aéreas do senador Marcos Pontes (PL-SP). Aos Fatos não encontrou nenhuma outra notícia sobre despesas com jatinhos desses políticos.
Nikolas e Michelle também não aparecem em nenhuma reportagem sobre as fraudes no INSS — escritas com base em vazamentos do inquérito da PF, já que as investigações estão sob sigilo. Seus nomes também não constam no relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre os descontos indevidos nas aposentadorias.
Outros políticos do antigo governo, porém, já foram citados como estando na mira da PF. É o caso de Onyx Lorenzoni (PP-RS), ministro do Trabalho e Previdência na gestão de Bolsonaro, que, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, teria recebido recursos de um intermediário de uma associação suspeita de participação na fraude.
O senador Sergio Moro (Podemos-PR) e o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) também estariam citados no inquérito da PF, ainda segundo o Estadão. Os três negam quaisquer irregularidades.
Em maio, Aos Fatos já havia desmentido que uma empresa acusada de desviar R$ 32 milhões por meio da fraude do INSS teria pago despesas da ex-primeira-dama.
Em 2023, a PF apontou indícios de que recursos de transferências suspeitas feitas pela empresa Cedro do Líbano a um militar da equipe de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, estariam sendo usados para pagar despesas pessoais de Michelle. O caso, porém, não possui relação com os descontos indevidos, e a Cedro do Líbano não consta na lista de entidades apontadas como núcleo da fraude no INSS.
Esta peça de desinformação também foi desmentida pelo Boatos.org.
O caminho da apuração
Aos Fatos identificou a notícia verdadeira sobre as despesas de Nikolas e Michelle com jatinhos fazendo uma busca reversa no Google da imagem dos dois usada pelo vídeo desinformativo.
Reportagens sobre a fraude no INSS e o relatório da CGU também foram usados para averiguar a existência de suspeitas sobre os dois políticos.




