Não há evidências de que 2,7 milhões de votos em Trump foram excluídos por software

Por Luiz Fernando Menezes

16 de novembro de 2020, 14h21


Não existem indícios de que um software eleitoral tenha deletado 2,7 milhões de votos em Donald Trump nas últimas eleições americanas. Segundo peças de desinformação que circulam nas redes (veja aqui), um relatório produzido pela Edson Research, empresa de dados eleitorais, provaria a fraude. O presidente da instituição, no entanto, negou a existência do documento. Além disso, autoridades federais atestaram a segurança do pleito.

A peça de desinformação foi publicada por diversas páginas e perfis pessoais no final da semana passada e acumulam, até o momento, mais de 58 mil compartilhamentos no Facebook. A publicação foi marcada com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

TRUMP ALEGA QUE EMPRESA RESPONSÁVEL PELO SISTEMA ELETRÔNICO DE VOTAÇÃO EXCLUIU 2,7 MILHÕES DE VOTOS DELE. “Análise de dados encontra 221 mil votos na Pensilvânia mudados de Trump para Biden. 941 mil votos de Trump excluídos. Os estados que usam sistema de votação Dominion mudaram 435 mil votos de Trump para Biden”.

Publicações que circulam nas redes sociais reproduzem uma informação falsa difundida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que um software usado em alguns estados americanos teria deletado, ao todo, 2,7 milhões de votos nele na eleição presidencial no país. Na postagem, Trump cita o canal One America News, que, no dia 12 de novembro, teria veiculado a informação sobre a fraude com base em um relatório que comprovaria que os votos foram apagados. O documento mencionado, no entanto, não existe.

De acordo com o One America News, o relatório teria sido feito pela Edison Research, empresa que providencia dados eleitorais nos EUA. Em nota enviada ao Politifact, porém, o presidente da instituição negou que o documento exista e que eles tenham evidências de irregularidades na última eleição.

Além disso, logo após a publicação de Trump, membros do Conselho de Coordenação Governamental de Infraestrutura Eleitoral da CISA (Cibersecurity and Infrastructure Security Agency, órgão oficial do governo americano), que acompanharam a votação como observadores, disseram em nota pública que não há evidência de que qualquer sistema de votação tenha deletado ou perdido votos. “As eleições do dia 3 de novembro foram as mais seguras da história americana”, afirmaram.

A CISA também explicou em sua página sobre rumores eleitorais que os resultados da eleição não poderiam ser mudados sem que essa mudança não fosse detectada. Além de testes e certificações dos sistemas usados, todos os estados fazem verificações das contagens e auditorias acompanhadas de representantes de ambos os partidos.

Por fim, a Dominion, empresa que produz o software usado nas eleições, também negou as acusações: “Não existem relatórios confiáveis ​​ou evidências de quaisquer problemas de software. Embora nenhuma eleição aconteça sem problemas isolados, os Sistemas de Votação da Dominion contam os votos de maneira confiável e precisa. As autoridades eleitorais estaduais e locais confirmaram publicamente a integridade do processo”.

Erro na contagem em Michigan. Um exemplo usado pelo One America News e por apoiadores de Trump para sugerir a existência da fraude foi um erro na divulgação de resultados do condado de Antrim, em Michigan. No dia seguinte à data oficial do pleito, Joe Biden, candidato democrata, estaria vencendo com 62% dos votos, quando o condado anunciou a recontagem manual após verificarem que o número de votos computados pelos softwares eleitorais não coincidiam com o de votos impressos. Em 6 de novembro, o resultado oficial da recontagem indicou que Trump venceu na localidade com cerca de 56% dos votos.

As autoridades de Michigan, porém, refutaram que a nova contagem tivesse a ver com alguma fraude e, em nota oficial, tratou o caso como isolado e que não afetaria o resultado das eleições em outros condados: “Não há evidências de que esse erro tenha ocorrido em outro lugar no estado e, se ocorresse, seria detectado durante as verificações da contagem, que são conduzidas por conselhos bipartidários de contadores do condado”. O documento afirma ainda que se tratou de um erro de um dos funcionários, que esqueceu de atualizar os drives de algumas máquinas de tabulação, o que acabou divulgando números incorretos. O governo do estado, no entanto, afirma que os votos foram contabilizados corretamente.

Nos EUA, o tweet de Trump e publicações semelhantes foram desmentidos por diversos veículos, como AP, Politifact, Factcheck.org, CNN e The Dispatch. Aqui no Brasil, a desinformação foi checada pela Agência Lupa.

Referências:

1. Twitter (@realDonaldTrump)
2. Edison Research
3. Politifact
4. CISA (Fontes 1 e 2)
5. Dominion Voting
6. The Epoch Times
7. Condado de Antrim
8. Governo de Michigan

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