Não é verdade que Vera Magalhães recebe R$ 500 mil por ano do governo de SP

Por Luiz Fernando Menezes

30 de agosto de 2022, 16h05

É falso que a apresentadora do programa Roda Viva, a jornalista Vera Magalhães, recebe R$ 500 mil por ano da TV Cultura, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). O contrato da jornalista com a emissora pública paulista vale até o fim deste ano e prevê pagamentos de R$ 22 mil mensais, o equivalente a R$ 264 mil anuais. A postagem também engana ao afirmar que o salário seria bancado pelo governo de São Paulo. Na verdade, a emissora pertence à Fundação Padre Anchieta, que é financiada com repasses do estado e também com verbas publicitárias.

A desinformação foi publicada pelo pastor Silas Malafaia no Twitter e já acumula mais de 3.500 compartilhamentos na rede social. No Facebook, postagens com a mesma informação enganosa também foram compartilhadas centenas de vezes.


Selo falso

VERA MAGALHÃES! A jornalista que ganha 500 mil por ano da fundação sustentada pelo governo de SP. Entendeu? Doria começou a bancar a jornalista que ataca o presidente em todo o tempo. VAMOS PARAR COM O MI MI MI QUE BOLSONARO É CONTRA AS MULHERES! A casa caiu Vera!

Tweet engana ao dizer que Vera Magalhães recebe R$ 500 mil por ano da TV Cultura

Voltou a circular nas redes sociais a informação falsa de que a apresentadora do programa Roda Viva, Vera Magalhães, receberia R$ 500 mil anuais do governo de São Paulo. Na verdade, a jornalista recebe R$ 22 mil mensais da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, o equivalente a R$ 264 mil por ano.

Em 2020, quando surgiu o boato, Vera Magalhães publicou o contrato no seu perfil no Twitter, com validade até 31 de dezembro de 2022. Procurado pelo Aos Fatos nesta terça-feira (30), o diretor de jornalismo da TV Cultura, Leão Serva, afirmou que o contrato permanece inalterado, e que a emissora paga no máximo cerca de R$ 22 mil aos jornalistas.

Também é incorreta a alegação de que o salário da jornalista é bancado pelo ex-governador João Doria (PSDB), que ocupou o cargo até maio de 2022. A emissora pertence à Fundação Padre Anchieta, entidade de direito privado que, embora receba verba do governo do estado, tem autonomia administrativa e conta com recursos privados. Em 2020, a TV Cultura afirmou que o salário da jornalista era pago por meio de anúncios veiculados na emissora.

Os repasses públicos para a fundação estão previstos na LOA (Lei Orçamentária Anual), que é votada pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). A Alesp aprovou a LOA 2022 no dia 15 de dezembro de 2021. Votaram contra o orçamento deputados dos partidos Novo, Patriota, Progressistas, PRTB, PSL, PSOL, PT e PTB. Já a LOA de 2020 — votada em 2019, antes de Magalhães assinar o contrato — foi aprovada por 71 votos a 13, com votos contrários do PT, PSOL e PCdoB.

A desinformação sobre o salário da apresentadora do Roda Viva voltou a circular após Magalhães ter questionado o presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o debate da Band no último domingo (28) a respeito do impacto de suas falas enganosas sobre vacinas na saúde pública brasileira. Bolsonaro, então, atacou a jornalista, dizendo que ela “dorme pensando” nele e que ela seria “uma vergonha pro jornalismo brasileiro”.

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Os ataques, no entanto, não partiram apenas do presidente. Como o Aos Fatos mostrou em reportagem anterior, correntes no WhatsApp passaram a utilizar a fala de Bolsonaro para fazer ataques machistas logo após o fim do debate.

Outro lado. O Aos Fatos entrou em contato com o pastor Silas Malafaia por meio do email disponibilizado em suas redes sociais, mas não recebeu resposta até a publicação desta checagem.

Referências:

1. Twitter (@veramagalhaes)
2. CNN Brasil
3. YouTube (Jornalismo TV Cultura)
4. Governo de São Paulo
5. Alesp
6. YouTube (Band Jornalismo)
7. Aos Fatos (1 e 2)


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