Não é verdade que uso prolongado de máscara de proteção causa hipóxia

Compartilhe

Publicações nas redes sociais enganam ao afirmar que o uso prolongado de máscaras de proteção provoca hipóxia, insuficiência de oxigênio no sangue que compromete funções corporais (veja aqui). Infectologista e pneumologista consultadas por Aos Fatos afirmam que a condição é provocada por doenças, como anemia ou pneumonia, não pela utilização da peça, hoje obrigatória em várias cidades para conter a transmissão da Covid-19.

As postagens desinformam ainda ao dizerem que motoristas podem perder a consciência ao dirigir usando máscaras, possibilidade refutada pelas médicas, e ao recomendarem que a peça seja retirada do rosto a cada dez minutos, o que contraria a indicação de prevenção da OMS (Organização Mundial de Saúde).

No Facebook, posts com a desinformação reuniam ao menos 4.600 compartilhamentos até a manhã desta terça-feira (12) e foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

MÁSCARA - O uso prolongado da máscara produz hipóxia. Respirar repetidamente o ar expirado se transforma em dióxido de carbono, e é por isso que nos sentimos tontos.

Não procede a alegação de que o uso de máscaras de proteção por horas a fio pode levar à insuficiência de oxigênio na corrente sanguínea e comprometer funções vitais, como sustentam publicações nas redes sociais. A hipóxia é uma condição provocada por enfermidades, como anemia muito grave, pneumonia avançada e insuficiência cardíaca, não pelo uso prolongado das peças no rosto, segundo a médica infectologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Raquel Stucchi.

De acordo com ela, o uso contínuo de máscaras produzidas com materiais inadequados, como jeans, poderia causar, no máximo, um desconforto respiratório, mas nada grave como hipóxia. Para máscaras caseiras, o mais indicado é que seja utilizado tecido de algodão e que haja camada dupla para agir como filtro ao mesmo tempo em que permite a respiração.


FALSO

Algumas pessoas dirigem o carro com a máscara, o que é muito perigoso, porque o ar viciado pode fazer o motorista perder a consciência.

Também não procede a informação de que um motorista pode perder a consciência ao dirigir usando máscara, como consta nos posts checados. A peça não interfere na respiração da pessoa mesmo se os vidros do carro estiverem fechados, de acordo com Ilma Paschoal, professora da Unicamp e médica pneumologista.

Ela ressalta, entretanto, que as janelas do veículo não podem ficar completamente fechadas caso alguém no carro esteja doente, porque isso impediria a circulação do ar e facilitaria a contaminação do ambiente.


FALSO

É importante lembrar de levantá-lo a cada 10 minutos para continuar se sentindo saudável

Levantar a máscara a cada 10 minutos, além de não interferir em nada na oxigenação do corpo, pode deixar a pessoa suscetível ao novo coronavírus. Segundo recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), deve-se evitar tocar na peça durante o uso. Caso o manuseio seja necessário, é preciso higienizar as mãos para que não haja contaminação.

Segundo Paschoal, não há um período de tempo limite para ficar de máscara, mas a troca deve ser feita sempre que a peça estiver úmida ou quando for manuseada de forma incorreta.


Esta peça de desinformação já foi checada em português por Agência Lupa e Polígrafo (Portugal) e, em espanhol, pela AFP.

Referências:

1. OMS

2. AFP

3. Polígrafo


De acordo com nossos esforços para alcançar mais pessoas com informação verificada, Aos Fatos libera esta reportagem para livre republicação com atribuição de crédito e link para este site.

Compartilhe

Leia também

Ações clandestinas da ‘Abin paralela’ realçam violências reais

Ações clandestinas da ‘Abin paralela’ realçam violências reais

falsoIdosa foi presa por tráfico, não por participar dos atos golpistas do 8 de Janeiro

Idosa foi presa por tráfico, não por participar dos atos golpistas do 8 de Janeiro

falsoLula devolveu 423 presentes recebidos durante mandatos anteriores

Lula devolveu 423 presentes recebidos durante mandatos anteriores