Não é verdade que Randolfe Rodrigues disse controlar PF e STF

Por Priscila Pacheco

31 de agosto de 2022, 16h59

Não é verdade que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou, em um áudio vazado, que controla a Polícia Federal e o STF (Supremo Tribunal Federal), como afirma um vídeo que circula nas redes (veja aqui). As postagens distorcem o áudio original de uma transmissão ao vivo no Twitter em que Randolfe critica o trabalho de Augusto Aras, procurador-geral da República indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), afirma que o seu partido faz petições diretamente ao STF e diz, ironicamente, que a Rede Sustentabilidade fez o papel que caberia à PGR (Procuradoria-Geral da República).

A desinformação conta com ao menos 9 mil compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (31).


Selo falso

Postagem engana ao dizer que o senador Randolfe afirmou que controla ações da PF e do STF

Um vídeo que circula nas redes sociais distorce uma fala do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em uma transmissão ao vivo feita no Twitter para dizer que ele afirmou que controla as ações do STF e da PF. Na verdade, o senador disse que prefere encaminhar ações para o tribunal do que para o procurador-geral Augusto Aras, uma vez que ele seria acionado pelo Supremo nas ações impetradas. O senador então acrescenta, ironicamente, que o seu partido ocupa o papel de Aras.

Em nota para o Aos Fatos, a assessoria de imprensa do parlamentar disse que a PF e o STF têm autonomia garantida na Constituição Federal e que ele não tem controle sobre as ações deles.

O áudio que tem sido disseminado foi retirado da transmissão realizada no dia 18 de agosto no perfil autenticado do Muka do Space, colunista do site BuzzFeed Brasil, com duração de quatro horas. O conteúdo segue disponível no perfil de Muka.

Por volta de 1 hora, 29 minutos e 6 segundos de conversa, um participante chamado Jeje Cricri lê uma pergunta sobre o que Randolfe Rodrigues espera da PGR em relação aos empresários que são investigados por suspeita de financiarem atos antidemocráticos. O senador responde que “não perde tempo” com petições a Aras, e que sua estratégia é de acionar diretamente o STF para que a PF e a procuradoria sejam provocadas.

Confira o diálogo na íntegra:

Jeje Cricri: Eu vou ter que dar uma adaptada na pergunta dele, porque ele usa uns adjetivos que a gente não pode falar nesse space gravado. Ele pergunta assim: quero saber do Randolfe se ele realmente espera alguma ação da PGR contra os empresários, sendo que o [Augusto] Aras não tem se movimentado tanto. Como esperar? Não tem se movimentado tanto como a Constituição determina.

Randolfe Rodrigues: É por isso que eu não perco tempo fazendo, direcionando qualquer petição a Augusto Aras. Eu não perco tempo fazendo, direcionando qualquer petição, qualquer notícia-crime a Augusto Aras. Porque é inócua. Porque faço a estratégia de fazer petição direto ao Supremo? Porque aí, sim, o Supremo Tribunal Federal aí pede a manifestação do procurador-geral da República e da Polícia Federal sobre as providências, mas sobretudo pede a movimentação da Polícia Federal. Como é um inquérito, o presidente do inquérito pode se manifestar para as providências a serem tomadas, independente da tomada de decisão e de qualquer tipo de encaminhamento da parte de Augusto Aras. Essa é a vantagem de ser um inquérito. Não se depende dele. Não se trata de uma ação. Não estamos movendo uma ação civil pública. Estamos peticionando no âmbito de um inquérito que está em curso e o presidente do inquérito se chama Alexandre de Moraes e o presidente do inquérito pode despachar, se quiser, as providências que nós lá encaminhamos, lá pedimos.

No dia 18 de agosto, o senador enviou uma petição ao STF para pedir investigação sobre os empresários. Alguns dias depois, Rodrigues requisitou ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela investigação, a cópia das mensagens que teriam sido trocadas entre Aras e o grupo de empresários. O documento também foi assinado pelos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Humberto Costa (PT-PE) e Fabiano Contarato (PT-ES).

A peça de desinformação também destaca uma declaração em tom de brincadeira feita por Rodrigues a partir de duas horas de transmissão. Na ocasião, o comediante Bruno Motta havia perguntado sobre a lista tríplice para a escolha de procuradores e zombou questionando se o país tinha um procurador. O senador, então, diz que o seu partido tem feito o papel da procuradoria.

Confira o diálogo:

Bruno Motta: É uma pergunta que é assim. Me embasbaca muito. A gente contava com alguns mecanismos até então na República. Como, por exemplo, eu vou dar um exemplo, a lista tríplice do procurador-geral da República que hoje é. A gente tem procurador, Muka? você sabe? Supostamente não tem.

Randolfe Rodrigues: No intervalo de tempo de 2018 e 2022, na ausência do procurador-geral da República, um partido político chamado Rede Sustentabilidade assumiu essa função.

Bruno Motta: Ah entendi. Parece que a gente está fora de “áreas” no caso de procurador.

Após comentar sobre a lista tríplice, o senador segue falando sobre casos de corrupção.

Os trechos dos áudios descontextualizados foram compartilhados por Olímpio Araújo Junior, do canal Mundo Polarizado News. O Aos Fatos entrou em contato com ele, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Referências:

1. Twitter Muka do Space
2. Metrópoles (Fontes 1 e 2)
3. Folha de S.Paulo
4. JOTA


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