Não é verdade que professores vão ganhar menos em 2026, mesmo com reajuste no piso

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Não é verdade que, devido às mudanças instituídas pela nova tabela de isenção do IR (Imposto de Renda), os professores vão ganhar menos neste ano do que ganhavam no ano passado, apesar do reajuste no piso. De acordo com cálculos feitos por especialistas, o aumento no salário líquido do magistério será de R$ 470,50.

As peças enganosas somavam 280 mil curtidas no Instagram até a tarde desta sexta-feira (23).

Presidente Lula aumentou, teve um reajuste aí de 5.4%, aumentando o salário dos professores de R$ 4.800 para R$ 5.100. Mas a pegadinha tá, vocês lembram que quem ganha abaixo de R$ 5.000 tem isenção do imposto de renda, não precisa pagar imposto de renda, só que agora eles tão ganhando R$ 5.100, tá acima dos R$ 5.000, então obrigatoriamente eles tem que pagar o imposto de renda (...) ou seja, eles ganharam, eles de fato ganhavam R$ 4.800 líquido antes e agora, porque eles vão ter que pagar imposto, vão ter que ganhar de fato líquido menos de R$ 4.500

Homem com o rosto desfocado. Na parte inferior, há legenda sobreposta que diz: ‘LULA É UM GÊNIO! ‘Aumentou’ salários dos professores que agora recebem MENOS!’.

Posts nas redes têm compartilhado um cálculo incorreto para afirmar que professores que recebem o piso nacional vão passar a ganhar menos neste ano do que ganhavam no ano passado, apesar do reajuste de 5,4% concedido pelo presidente Lula (PT).

As peças de desinformação alegam que, após o reajuste, haverá um desconto médio de 10% sobre o piso salarial e que os professores receberão menos do que R$ 4.500.

Isso ocorreria porque os profissionais passarão a ganhar um salário bruto de R$ 5.130,63, acima do valor-limite de isenção do Imposto de Renda determinado pela lei 15.270/2025, que entrou em vigor neste ano. O cálculo e a linha de raciocínio, no entanto, estão incorretos.

O salário líquido é calculado ao subtrair do salário bruto a contribuição para o INSS e o Imposto de Renda.

A pedido do Aos Fatos, Marcelo Lettieri, auditor-fiscal e diretor de comunicação do Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil), e Carlos Alberto Baptistão, diretor-presidente da Markar Contabilidade e Auditoria, calcularam o salário líquido dos professores neste ano e no ano passado.

Veja como funcionava o cálculo em 2025:

  1. O piso salarial era de R$ 4.867,77;
  2. Caso um professor recebesse esse valor e não tivesse dependentes, eram descontados a contribuição para o INSS (R$ 491,08) e o Imposto de Renda mensal (R$ 283,14);
  3. Isso resultava em um salário líquido de R$ 4.093.55.

Agora veja o que muda neste ano:

  1. O piso salarial é de R$ 5.130,63;
  2. Caso o professor não tenha dependentes, desconta-se a contribuição para o INSS (R$ 519,80) e o Imposto de Renda mensal (R$ 46,78), o que resulta em um salário líquido de R$ 4.564,05;
  3. Agora, portanto, os professores que recebem o piso ganham R$ 470,50 a mais do que antes.

A diferença nos descontos instituídos pelo Imposto de Renda em 2026 se deve a redutores que foram criados pela lei 15.270/2025. Aos Fatos explicou o cálculo completo nesta checagem.

O piso nacional do magistério é o valor mínimo que todo professor da educação básica da rede pública do país deve receber em uma jornada de até 40 horas semanais.

A aplicação do reajuste em estados e municípios não é automática, uma vez que depende de regulamentação por meio de norma própria de cada ente federativo.

O caminho da apuração

Aos Fatos reconstituiu o cálculo do salário líquido a partir dos componentes indicados no texto, separando salário bruto, contribuição ao INSS e Imposto de Renda.

Em seguida, a reportagem comparou os valores antes e depois do reajuste, mantendo as mesmas premissas (como ausência de dependentes) para verificar a diferença no resultado final.

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