Não é verdade que Moraes continua sob sanção da Lei Magnitsky

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Não é verdade que os Estados Unidos voltaram atrás e mantiveram as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes por “censura e prisões arbitrárias”. O magistrado, sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Instituto Lex, empresa ligada à família, foram retirados da lista de sancionados pela norma na última sexta (12) e não houve anúncio posterior de reinclusão.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam cerca de 60,4 mil curtidas no Instagram, 46,2 mil visualizações no Kwai, centenas de compartilhamentos no X e milhares de visualizações no TikTok até a tarde desta quinta-feira (18).

Sanções contra Alexandre de Moraes CONTINUAM por "censura e prisões arbitrárias". Lula ignorado, e a lista de investigados aumenta!

A imagem tem fundo preto e apresenta apenas texto escrito em branco, organizado em blocos, com alguns emojis e símbolos coloridos. No topo, aparece um emoji de sirene vermelha seguido da frase ‘EUA DERRUBAM A MÁSCARA DO STF!’. Logo abaixo, há um parágrafo que diz: ‘Sanções contra Alexandre de Moraes CONTINUAM por ‘censura e prisões arbitrárias’. Lula ignorado, e a lista de investigados aumenta!”. Em seguida, aparece um emoji de alfinete vermelho e o título ‘A VERGONHA INTERNACIONAL:’. Abaixo desse título há uma lista de tópicos iniciados por traços: ‘EUA confirmam: Moraes é censor e prende arbitrariamente’; ‘Lula humilhado – sanções não serão revogadas’; ‘Nova leva de vistos de autoridades brasileiras sendo cancelada’; e ‘Próximos alvos: juízes e políticos do alto escalão’. Na parte inferior da imagem há duas linhas finais: a primeira começa com um emoji de balão de fala e diz ‘COMENTE: STF virou piada internacional?’, e a última começa com um emoji de setas circulares e diz ‘MARCA quem sabia que a justiça seletiva seria exposta!’.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que o ministro Alexandre de Moraes permanece sob as sanções impostas pela Lei Magnitsky. O magistrado, sua esposa e o Instituto Lex foram retirados da lista de punições na última sexta-feira (12), e não há qualquer comunicado oficial do governo americano indicando uma eventual reinclusão.

As peças de desinformação também compartilham um vídeo gerado por IA (inteligência artificial) de um telejornal para simular o anúncio da suposta sanção. Há uma série de indícios de que a gravação é um conteúdo sintético:

  • Os lábios da apresentadora se movimentam de maneira artificial;
  • A pele é excessivamente homogênea, sem textura humana real;
  • O tom da voz e a falta de pausas ou movimentos para respiração não correspondem ao fluxo natural da fala;
  • Ao final do vídeo, a suposta jornalista pede para que usuários curtam e compartilhem o conteúdo, situação que não condiz com uma linha editorial jornalística.

A imagem é um enquadramento vertical dividido em dois planos. Na parte superior, aparece o presidente dos EUA, Donald Trump, sentado atrás de uma mesa, em um ambiente interno que lembra um escritório, com uma janela ao fundo e elementos escuros nas laterais. Ele tem cabelos claros, rosto sério, veste terno escuro, camisa branca e gravata vermelha, e mantém as mãos apoiadas à sua frente. Sobre o peito dele, há um texto em letras brancas que diz: ‘MAGNITSKY CONTRA ALEXANDRE’. Na parte inferior da imagem, aparece o rosto de uma mulher enquadrado do ombro para cima, com cabelos escuros, lisos e soltos, maquiagem visível e expressão neutra, olhando diretamente para a câmera. O fundo dessa parte inferior é escuro e uniforme, destacando o rosto da mulher.
Publicações compartilham o vídeo de uma reportagem gerada por IA para dar credibilidade à notícia falsa (Reprodução/X)

As sanções contra Moraes foram anunciadas em julho, com alegações de que o ministro teria autorizado prisões arbitrárias e restringido a liberdade de expressão no Brasil. Já as punições direcionadas à sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e ao Instituto Lex, empresa vinculada à sua família, passaram a valer em setembro.

Nos meses que antecederam a retirada das punições, o governo Trump intensificou críticas ao ministro do STF. Entre os episódios citados estava a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe após as eleições de 2022, apontada por aliados do republicano como um dos motivos para a adoção das sanções.

Na última quarta-feira (16), o presidente Lula (PT) declarou que tratativas diretas com Donald Trump teriam resultado na exclusão de Moraes e de sua mulher da lista da Lei Magnitsky.

Segundo Lula, o recuo dos Estados Unidos foi um dos principais resultado das conversas mantidas com o líder americano, junto das negociações comerciais envolvendo tarifas sobre produtos brasileiros.

O presidente brasileiro afirmou ainda que, em reunião ocorrida em outubro, sustentou que a aplicação da Magnitsky era injustificável, destacando que o Brasil observa o devido processo legal e não promove perseguições políticas ou judiciais.

O caminho da apuração

Aos Fatos verificou registros oficiais do governo dos Estados Unidos e comunicados públicos relacionados à Lei Magnitsky para confirmar a situação atual das sanções envolvendo Alexandre de Moraes, sua mulher e empresas ligadas à família.

A reportagem também consultou declarações de autoridades brasileiras e reportagens da imprensa sobre as negociações diplomáticas que resultaram na retirada dos nomes da lista.

Por fim, também analisamos o vídeo compartilhado nas redes, observando características técnicas do material, e constatamos que ele foi gerado por IA.

Referências

  1. CNN Brasil (1 e 2)
  2. Aos Fatos
  3. Agência Brasil
  4. Jota

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