Não é verdade que médica foi demitida por perseguição política na Bahia

Por Priscila Pacheco

3 de julho de 2020, 18h05


É falso que o governador da Bahia, Rui Costa (PT), demitiu uma médica que publicou um vídeo no Facebook pedindo ao presidente Jair Bolsonaro para enviar hidroxicloroquina a Porto Seguro, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). Raissa Soares, que trabalhava no Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães, desmentiu a alegação na quinta-feira (2) em vídeo no YouTube e disse que não renovou o contrato com a unidade de saúde porque estava sem tempo para cumprir os plantões exigidos.

No Facebook, esta peça de desinformação reunia ao menos 28 mil compartilhamentos nesta sexta-feira (3). As postagens enganosas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Olha a falta de respeito com a vida humana. Essa médica pediu ajuda ao presidente e foi demitida pelo governador da Bahia.

Publicações que circulam nas redes sociais enganam ao afirmar que a médica Raissa Soares, que trabalhava em um hospital em Porto Seguro (BA), foi demitida pelo governador Rui Costa (PT) após publicar um vídeo no qual pede ao presidente Jair Bolsonaro que envie hidroxicloroquina para a cidade. Em vídeo publicado no YouTube na última quinta-feira (2), Soares negou que tenha deixado o Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães por perseguição política, mas por falta de tempo para cumprir os plantões na unidade.

Na gravação, a média afirma ainda que trabalha em um hospital privado e na rede municipal de saúde, onde permanece em atuação. A Prefeitura de Porto Seguro republicou o comunicado da médica em sua conta do Facebook e, por meio de nota enviada ao Aos Fatos, disse que a médica recebeu a proposta para renovar o contrato, mas com uma carga horária maior por causa da necessidade de plantonistas com mais disponibilidade. A profissional não aceitou e justificou que estava com uma grande demanda de trabalho durante a pandemia, segundo o município.

Origem. No dia 30 de junho, Soares postou um vídeo em sua conta no Facebook no qual pedia ao presidente Jair Bolsonaro para enviar hidroxicloroquina a Porto Seguro e defendia o uso do medicamento na fase inicial da Covid-19. No dia seguinte, ela deixou de trabalhar no hospital regional e passaram a circular peças de desinformação atribuindo a sua demissão a uma perseguição política promovida pelo governador do estado.

Nesta quinta-feira (2), o presidente Bolsonaro disse que enviaria 40 mil doses de hidroxicloroquina para Porto Seguro por causa do apelo da médica. "Nunca recebi tantos vídeos no telefone. Viram a doutora Raissa Soares fazendo apelo a mim para que chegasse a hidroxicloroquina na tua cidade”, comentou.

A peça de desinformação sobre os motivos para a saída da médica do hospital repercutiu em diversos sites e foi compartilhada no Twitter pelo deputado federal de Mato Grosso José Medeiros (Podemos-MT). Na manhã desta sexta-feira (3), Medeiros também compartilhou a explicação de Soares, mas não apagou o tweet com a desinformação.

Aos Fatos entrou em contato com a médica Raíssa Soares, com a Secretaria de Estado da Saúde da Bahia e com o deputado José Medeiros para que pudessem se comentar o caso, mas não obteve respostas até o fim da tarde de sexta-feira (3).

Referências:

1. YouTube
2. Raissa Soares no Facebook
3. Prefeitura de Porto Seguro no Facebook
4. Governo do Estado da Bahia
5. UOL