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Não é verdade que estado americano de Wisconsin tenha mais votos que eleitores

Por Bernardo Barbosa

4 de novembro de 2020, 19h05

É falsa a alegação de que há mais votos do que eleitores no estado americano de Wisconsin, como dizem posts em português compartilhados no Facebook e no Twitter (veja aqui) na tarde desta quarta-feira (4). Segundo as publicações, o estado teria 3.129.000 eleitores registrados e 3.239.920 votos contabilizados. No entanto, a Comissão Eleitoral de Wisconsin informa em seu site que, até o dia 1º de novembro, o estado tinha 3.684.726 eleitores registrados.

Além disso, o órgão não divulga o resultado da votação do estado em tempo real. Quem acessa o site da comissão é direcionado para a página de cada condado do estado, onde os resultados atualizados podem ser consultados. De acordo com a agência de notícias AP (Associated Press), até a tarde desta quarta, cerca de 3,3 milhões de votos tinham sido contabilizados em Wisconsin.

No começo da noite desta quarta-feira, a peça de desinformação já tinha cerca de 1.000 compartilhamentos no Facebook. Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Wisconsin foi pra recontagem. Inexplicavelmente tem mais votos computados do que eleitores registrados.

Não é verdade que o estado americano de Wisconsin tenha mais votos do que eleitores registrados, como dizem publicações compartilhadas no Twitter e no Facebook nesta quarta-feira (4), em meio à contagem dos votos da eleição presidencial dos Estados Unidos. De acordo com as postagens enganosas, o estado teria 3.129.000 eleitores registrados e 3.239.920 votos contabilizados. O site da Comissão Eleitoral de Wisconsin informa, entretanto, que, até o dia 1º de novembro, o estado tinha 3.684.726 eleitores registrados.

A Comissão Eleitoral de Wisconsin não divulga o resultado da votação em tempo real. Cada um dos 72 condados do estado atualiza os resultados em seus respectivos sites.

Apesar da ausência do dado consolidado, veículos de imprensa divulgam estimativas do número de votos apurados de acordo com as informações obtidas junto às autoridades locais.

Com isso, a agência de notícias AP informou que, até a tarde de quarta-feira, cerca de 3,3 milhões de votos tinham sido contabilizados em Wisconsin. Em seu site, a agência disse ter entrado em contato com autoridades de cada condado de Wisconsin e que praticamente todos os votos do estado já tinham sido contabilizados.

A AP também noticiou que, com a apuração praticamente concluída, poderia afirmar que o candidato democrata, Joe Biden, venceu a eleição no estado com uma vantagem inferior a um ponto percentual. Os resultados oficiais ainda não foram confirmados ou divulgados pelas autoridades locais.

Wisconsin é um dos estados em que o presidente americano, Donald Trump, apareceu na liderança no começo da apuração dos votos, na noite de terça-feira (3). No entanto, com o avanço da apuração, Biden assumiu a liderança.

O presidente americano e candidato republicano à reeleição, Donald Trump, venceu em Wisconsin na eleição de 2016, e o estado é um dos locais cruciais da atual disputa. Mesmo antes da conclusão da apuração no estado, a campanha de Trump já tinha anunciado que queria uma recontagem dos votos em Wisconsin.

A peça de desinformação foi checada por diversos veículos de imprensa americanos, como a AP, o jornal Washington Post e os sites Politifact, Lead Stories e Check Your Fact.

O Politifact identificou que o ativista Mike Coudrey foi um dos primeiros a disseminar a desinformação, em um tweet publicado no começo da tarde de hoje, pelo horário de Brasília. Posts em português com a mesma imagem publicada por Coudrey surgiram no Facebook logo depois, por volta das 13h. Coudrey apagou o tweet.

Esta não é a primeira peça de desinformação sobre a eleição americana que circula em posts em português e que foi checada pelo Aos Fatos. Entre ontem e hoje, foram identificados posts falando sobre uma falsa interrupção da apuração dos votos nos EUA. Alegações falsas sobre pesquisas eleitorais e comícios de Trump também foram checadas nos últimos dias.

Referências:

1. Comissão Eleitoral de Wisconsin (1, 2 e 3)

2. AP (1, 2, 3)

3. UOL

4. Washington Post

5. Politifact

6. Lead Stories

7. Check Your Fact

8. Archive.today

9. Aos Fatos (1, 2 e 3)

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