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Não é verdade que beber água a cada 15 minutos seja eficaz na prevenção à Covid-19

Por Priscila Pacheco

13 de agosto de 2020, 18h11

É falso que beber água a cada 15 minutos seja eficaz na prevenção contra o novo coronavírus, conforme afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). O Ministério da Saúde e a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmam que não há substâncias capazes de impedir a infecção. De acordo com essas entidades, a higienização das mãos e o distanciamento físico ainda são os melhores métodos de se evitar a Covid-19.

Esta informação falsa circulou em diversos idiomas, inclusive português, no início da pandemia, em março. Agora, o conteúdo voltou a ganhar força nas redes sociais e reunia ao menos 4.558 compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (13). As postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Um fator importante para não contrair o vírus é beber água
de 15 em 15 minutos.

Não é verdade que beber água de 15 em 15 minutos seja efetivo para evitar a contaminação pelo Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, como afirmam postagens nas redes sociais. De acordo com o Ministério da Saúde e a OMS (Organização Mundial da Saúde), ainda não há evidências de substância capaz de prevenir a doença. Para isso, as duas autoridades sanitárias recomendam higienização das mãos e distanciamento físico.

O consumo de água é essencial para o bom funcionamento do organismo, porém, ela não é capaz de impedir a contaminação ou eliminar o Sars-CoV-2 nem outros tipos de vírus, segundo o infectologista Gerson Salvador.

As postagens checadas também enganam ao afirmar que o patógeno pode ser eliminado no estômago. Frederico Fernandes, médico e presidente da SPP (Sociedade Paulista de Pneumologia), explica que a infecção ocorre pelo contato com partículas virais que atingem primeiro todo o trato respiratório até alcançar os alvéolos pulmonares.

“Beber água pode até mandar algum vírus que está na boca e garganta para o estômago, mas há vírus no nariz e nos brônquios”, diz.

Fernandes ressalta ainda que, como já foram relatadas consequências da Covid-19 no intestino, não há como afirmar que o vírus é eliminado pelo estômago, etapa anterior do aparelho digestório.

Esta peça de desinformação surgiu no início da pandemia do novo coronavírus, em março, tendo sido reproduzida em diversos idiomas, inclusive português. Em abril, o Ministério da Saúde também publicou um desmentido a respeito.

À época, além da alegação sobre os intervalos para ingestão de água, circulou ainda que o gargarejo com o líquido morno, sal e vinagre também agiria para impedir a infecção. Essa recomendação foi desmentida pelo ministério e por especialistas.

"Não adianta gargarejo, água quente, vinagre. Você pode até piorar um quadro, porque esse ácido, por exemplo, do vinagre, acaba irritando a mucosa”, explicou na ocasião Luciana Costa, diretora-adjunta do Instituto de Microbiologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Referências:

1. Aos Fatos
2. Ministério da Saúde (Fontes 1, 2, 3 e 4)
3. OMS
4. Nature
5. ABC News


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