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Não é verdade que Anvisa confirma mortes em decorrência de vacinas contra a Covid-19

Por Marco Faustino

3 de março de 2021, 17h57

Publicações que circulam nas redes sociais afirmam com base em dados da plataforma VigiMed, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que a agência confirma mortes em decorrência das vacinas contra a Covid-19 usadas no Brasil (veja aqui). No entanto, a ferramenta é abastecida por informações enviadas por qualquer pessoa, sem a necessidade de apresentação de provas. Em e-mail ao Aos Fatos, a agência negou que os dados sejam oficiais e que haja qualquer óbito com relação comprovada com as vacinas.

Posts que replicam o conteúdo fora de contexto reuniam 1.900 compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (3) e foram marcados com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


Anvisa confirma 34 óbitos e 767 eventos adversos em primeiro mês de vacinação

Textos do site Estudos Nacionais difundidos nas redes sociais usam dados da plataforma VigiMed, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para afirmar que a agência reconhece mortes decorrentes das vacinas contra a Covid-19 no Brasil. A base de dados, no entanto, é aberta a qualquer pessoa sem necessidade de apresentação de provas e não contém informações oficiais.

Por e-mail ao Aos Fatos, a Anvisa negou que haja qualquer óbito com relação comprovada com as vacinas. “As vacinas em uso no país são consideradas seguras. Já é esperado que pessoas venham a óbito por outros motivos de saúde e mesmo por causas naturais, tendo em vista a taxa de mortalidade já conhecida para cada faixa etária da população brasileira”.

No site, a agência explicita em um aviso antes de acessar os dados que “não tem controle da completude do preenchimento dos dados de todos os campos, tendo em vista que somente alguns são obrigatórios”. A agência também deixa claro que “as informações contidas no painel referem-se às suspeitas de eventos adversos” e que “não é possível ter certeza de que estejam relacionados ou que tenham sido causados por este medicamento ou vacina”. Segundo a Anvisa, os dados são usados como subsídio para o seu monitoramento.

Conforme verificado pelo Aos Fatos, para enviar notificações para o painel, basta preencher um simples cadastro, sem necessidade de fornecer provas da identidade do notificador ou do que está sendo relatado. Qualquer pessoa pode, inclusive, preencher e enviar o cadastro como se fosse um médico ou profissional da saúde. A plataforma não requer número de CRM, por exemplo (a matrícula dos médicos nos Conselhos Regionais de Medicina).

Efeitos adversos. Entre os principais eventos adversos que aparecem no painel estão: cefaleia (dor de cabeça), pirexia (febre), mialgia (dor muscular), diarreia e dor no local da aplicação. De fato, estes eventos foram relatados nos ensaios clínicos de fase 3 da vacina de Oxford, que têm como objetivo testar eficácia e segurança do produto, como nos dados enviados pelo Instituto Butantan à Anvisa, no caso da Coronavac. Porém, não houve qualquer morte comprovadamente associada aos imunizantes.

Falibilidade. Um ponto que mostra a falibilidade do painel é que foram notificados 14 casos de infecção por Covid-19 como eventos adversos da vacina CoronaVac. Contudo, isso não é possível uma vez que o imunizante CoronaVac utiliza o vírus inativado, ou seja, sem qualquer possibilidade de causar a doença. A vacina de Oxford usa a tecnologia de vetor viral, que também não é capaz de causar a Covid-19 nos imunizados.

Segundo o órgão, como se trata de dados notificados por terceiros, estes relatos são considerados de evidência científica de baixa relevância.

Na tarde de terça-feira (2), uma tarja preta foi adicionada no rodapé do painel para reforçar que os dados disponibilizados não devem ser utilizados para atribuir ou não causalidade aos medicamentos ou vacinas.

Outro lado. Procurado por e-mail, o Estudos Nacionais disse que os dados estavam disponíveis no painel de notificação da Anvisa e que as as notificações estão sujeitas a atualizações diárias e deveriam ser entendidas conforme as instruções da própria Anvisa.

Desinformação semelhante foi checada pela Agência Lupa.

Referências:

1. Governo Federal (Fontes 1, 2 e 3)
2. UMC
3. The Lancet
4. EBC
5. FDA
6. G1
7. SBIm
8. GZH
9. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)


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