Não é verdade que 94% dos brasileiros apoiam intervenção militar

Compartilhe

Não procede a informação publicada pelo site Jornal do País de que "94% da sociedade brasileira quer uma intervenção militar". O texto, que tem apenas dois parágrafos sem muitos detalhes, foi marcado como falso na ferramenta de checagem do Facebook (entenda como funciona). Aos Fatos investigou do que se trata.


FALSO

Clamor: 94% da sociedade brasileira quer uma intervenção militar

Sem atribuição de autor, data e metodologia de pesquisa, o link foi publicado pela página Pensa Brasil nesta sexta-feira (25) no Facebook e apresentava, às 19h30 do mesmo dia, mais de 1.800 compartilhamentos. Anteriormente, já havia sido postado pela mesma página em 21 de agosto de 2017. O post se limita a trazer informações infundadas a partir de uma enquete de 1 de agosto de 2017 do site NBO Quiz. Uma busca por essa enquete nesse site, por sua vez, traz apenas a seguinte informação: "Uma pesquisa em andamento, realizada pelo Noticias Brasil Online aqui no NBOquiz aponta que 94% da população quer uma Intervenção Militar no Congresso Nacional".

Já o Jornal do País registra, assim mesmo, em caixa alta: "QUANDO ACONTECER VAI SER A MAIOR ALEGRIA, POSSO ATÉ VER AS PESSOAS ABRAÇANDO OS SOLDADOS PELAS RUAS DO BRASIL, AS MULHERES ENTREGANDO FLORES AOS NOSSOS BRAVOS SOLDADOS. SONHO TODAS AS NOITES COM O FECHAMENTO DO CONGRESSO NACIONAL E UM NAVIO ANCORADO CHEIO DE POLÍTICOS AGUARDANDO".

Não fica claro se é um texto de opinião, já que não há sequer informação de autoria. O site Jornal do País não tem formulários de contato em funcionamento nem expediente. Nos links relacionados a esse mesmo texto, há chamadas para outras notícias falsas, como, por exemplo, "Ministra Carmen Lucia está prestes a convocar as Forças Armadas e fechar o Congresso, diz senador".

No entanto, não há qualquer pesquisa de opinião confiável que dê amparo a esses números. Além disso, não é possível medir a opinião da população sobre uma eventual intervenção militar por meio de enquetes digitais. Em certas sondagens desse tipo, sequer há garantia de que a mesma pessoa votou uma ou mais vezes.

Institutos de pesquisa costumam fazer esse tipo de levantamento com rigor estatístico, de modo que a quantidade de pessoas ouvidas seja representativa não apenas geograficamente, mas também em relação à instrução, renda e idade. Por isso, essa é a melhor maneira de averigar a opinião da população como um todo a respeito dos mais variados temas — o endosso a um regime ditatorial é um deles.

É o caso, por exemplo, de uma pesquisa Datafolha publicada em 3 de outubro de 2017. A partir desse levantamento, o instituto identificou que, para 56% dos brasileiros adultos, a democracia é "sempre melhor que qualquer outra forma de governo". Para 21% dos entrevistados, tanto faz se o governo é uma democracia ou uma ditadura. Porém, para 17%, "em certas circunstâncias", é melhor uma ditadura do que uma democracia. Uma parcela de 5% não opinou.

De acordo com a pesquisa, conforme aumenta o grau de escolaridade e a renda familiar mensal dos entrevistados, aumenta o apoio à democracia. Houve registro, porém, de oscilação para baixo no apoio ao regime democrático e para cima no apoio ao regime autoritário em relação a sondagem anterior: 62% apoiavam a democracia em julho de 2016 e 14% apoiariam uma ditadura em certas circunstâncias em julho de 2016.

O Datafolha foi a campo nos dias 27 e 28 de setembro de 2017, quando realizou 2.772 entrevistas presenciais em 194 municípios do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

Compartilhe

Leia também

Ações clandestinas da ‘Abin paralela’ realçam violências reais

Ações clandestinas da ‘Abin paralela’ realçam violências reais

falsoIdosa foi presa por tráfico, não por participar dos atos golpistas do 8 de Janeiro

Idosa foi presa por tráfico, não por participar dos atos golpistas do 8 de Janeiro

falsoLula devolveu 423 presentes recebidos durante mandatos anteriores

Lula devolveu 423 presentes recebidos durante mandatos anteriores