🕐 ESTA REPORTAGEM FOI PUBLICADA EM Novembro de 2023. INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE TEXTO PODEM ESTAR DESATUALIZADAS OU TEREM MUDADO.

Não é verdade que arroz paquistanês infectado por vírus está sendo vendido no Brasil

Por Luiz Fernando Menezes

17 de novembro de 2023, 16h57

É falso que o governo Lula (PT) permitiu a venda no mercado brasileiro de um arroz paquistanês infectado por vírus ou bactéria. O produto citado pelas peças de desinformação não tem registro na Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), e, portanto, não pode ser comercializado no Brasil. O boato sobre o suposto arroz contaminado circula nas redes de diversos países da América Latina desde 2017.

O falso alerta tem sido compartilhado principalmente no WhatsApp, plataforma na qual não é possível estimar o alcance dos conteúdos (fale com a Fátima).


Selo falso

Um funcionário da alfândega informou que chegou um carregamento de arroz que não passou pelos padrões de saúde porque traz um vírus/bactéria que só é visto no Paquistão. O arroz é de lá e eles conseguiram com o governo petista liberação da mercadoria que já se encontra no mercado brasileiro.

Embalagem de arroz Dana circula junto de mensagem desinformativa

São mentirosas as publicações que afirmam que um arroz paquistanês da marca Dana teria sido aprovado para venda no Brasil mesmo estando infectado por um vírus ou bactéria. As peças que fazem esse falso alerta trazem ao menos três desinformações:

  • Não há, atualmente, nenhum arroz registrado na Anvisa com a marca Dana;
  • O produto que aparece na imagem sequer tem a embalagem em português. É possível ver, logo abaixo do nome da marca, as palavras “Calidad Superior”, que significam “qualidade superior” em espanhol;
  • O arroz Dana também não é paquistanês. Ao procurar por fotos da embalagem, é possível encontrar imagens que trazem a informação de que o produto foi importado dos Emirados Árabes Unidos (veja abaixo).

Verso da embalagem do arroz Dana mostra informações de exportação, importação e empacotamento
Importado. Informações presentes na embalagem atestam que arroz foi importado da Tradigrain, empresa dos Emirados Árabes Unidos (Reprodução/Twitter)

Vale ressaltar que a alegação de que o governo brasileiro teria permitido a entrada do grão infectado foi desmentida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. “Todos os produtos de interesse agropecuário são fiscalizados na importação para assegurar a qualidade, identidade e segurança”, disse a pasta, em nota.

América Latina. A peça de desinformação se originou a partir de um caso ocorrido na Venezuela. Em 2016, o governo estadual de Zulia permitiu a entrada de produtos e medicamentos sem a autorização prévia do presidente por conta de uma crise de abastecimento. O arroz da marca Dana, então, passou a ser vendido no mercado interno do país e foi alvo de críticas por ser supostamente caro e de baixa qualidade. Não há, no entanto, nenhum indício de que o produto estava contaminado.

A partir desse caso, começaram a circular mensagens nas redes latino-americanas que alegavam que o arroz havia sido infectado. Foram publicadas checagens sobre o assunto na Argentina, na Bolívia, no Chile, na Colômbia, na Costa Rica, no Panamá e na Venezuela. No Brasil, essa peça de desinformação foi desmentida pelo Boatos.org, pelo e-Farsas, pelo Estadão Verifica, pela Lupa, pelo UOL Confere e pelo Fato ou Fake.

Referências:

1. Anvisa
2. Vida Agro
3. Ministério da Agricultura e Pecuária
4. TSJ Venezuela

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