Não é verdade que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes foi condenado nos Estados Unidos por crimes contra o país. As peças desinformativas tiram de contexto o vídeo do momento em que o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, anuncia as sanções da Lei Magnitsky contra o magistrado — e não uma condenação criminal.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam cerca de 170 mil visualizações no Kwai, centenas de visualizações no TikTok e 1.000 curtidas no Facebook até a tarde desta quinta-feira (28).
Urgente. Moraes foi condenado hoje 26-08-25. Pronunciamento oficial sobre aos crimes de Moraes contra os EUA

Publicações enganam ao afirmar que o ministro Alexandre de Moraes foi condenado pela Justiça americana nesta terça-feira (28) por “crimes contra os EUA”. Não há qualquer registro do tipo nos canais oficiais do governo norte-americano ou na imprensa.
As peças desinformativas compartilham, como se fosse prova da condenação, o vídeo da coletiva de imprensa em que o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, comenta as sanções impostas a Moraes pela Lei Magnitsky.
A coletiva ocorreu em 31 de julho, um dia após o anúncio oficial das sanções. Na ocasião, Pigott classificou Moraes como um “juiz ativista” e um “ator estrangeiro maligno”:
"Moraes é um juiz ativista, que abusou da sua autoridade engajando-se em um esforço politicamente motivado, projetado para silenciar os críticos políticos através da emissão de ordens secretas para plataformas online, incluindo empresas de mídia social dos EUA, banindo as contas de indivíduos por postarem discursos protegidos", afirmou.
Aos Fatos já desmentiu uma série de outras alegações falsas envolvendo a Lei Magnitsky, como as de que Lula (aqui e aqui) ou o ministro Luís Roberto Barroso (aqui) também teriam sido sancionados. Até o momento, Moraes é o único brasileiro punido pela medida.
O caminho da apuração
Aos Fatos transcreveu a fala do porta-voz no trecho compartilhado pelas peças desinformativas e, por meio dela, encontrou a gravação original. Constatamos, então, que a gravação ocorreu em 31 de julho e que a declaração falava sobre a atuação de Moraes e a imposição da Lei Magnitsky, não de uma condenação criminal.
Também verificamos os canais oficiais do governo americano, fizemos buscas em veículos de imprensa e entramos em contato com o STF para confirmar a existência de anúncio de alguma medida similar.




