Moraes e Alcolumbre não sofreram impeachment; vídeo é antigo

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É falso que um vídeo mostra um anúncio recente de impeachment do presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, como afirmam posts nas redes sociais. O vídeo é de agosto de 2025 e foi tirado de contexto. As imagens, na verdade, registram uma obstrução de parlamentares da oposição contra a prisão de Jair Bolsonaro (PL).

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 130,2 mil interações no X, Instagram e no Facebook até a tarde desta quinta-feira (3).

Impeachment de @davialcolumbre e Alexandre de Moraes

Captura de tela de uma publicação na rede social X (antigo Twitter). Na parte superior, a legenda diz: 'Impeachment de @davialcolumbre e Alexandre de Moraes'. Abaixo da legenda, há um vídeo em formato vertical. No primeiro plano, o deputado federal  Sóstenes Cavalcante aparece em pé, vestindo terno escuro e gravata azul, segurando um papel com as duas mãos à frente do corpo. Ele está no plenário do Senado Federal, com o plenário ao fundo. Ao fundo, na bancada elevada, vários parlamentares usam fitas sobre a boca  de cor branca. Sobre a estrutura do plenário, há um retângulo branco centralizado com a frase 'Comunicado Urgente!' em letras pretas e em caixa alta. Na margem inferior do vídeo, é exibida a barra de reprodução com a marcação de tempo '0:00 / 1:33' e os ícones de controle de mídia. Na parte inferior da imagem, constam o horário e a data da postagem: '4:33 PM · 2 de set de 2026', seguidos do alcance de '111 mil Visualizações'. 

Não é verdade que o vídeo checado mostre um comunicado oficial de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). As imagens não são recentes e foram tiradas de contexto.

Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou que o vídeo original foi publicado em 5 de agosto de 2025 no Instagram do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e mostra protesto da direita contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época, parlamentares da oposição ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado por cerca de 45 horas.

O grupo também pressionava por outras demandas, como anistia para condenados no 8 de janeiro e o impeachment de Alexandre de Moraes.

Captura de tela de uma publicação do Instagram de sostenescavalcante em colaboração com carolinedetoni. Na parte superior, a legenda diz: ‘Obstrução total na câmara e no senado! Não vamos recuar e se omitir de todas as injustiças que tem acontecido em nosso País!’. Abaixo da legenda, há um vídeo em formato vertical. No primeiro plano, o deputado federal  Sóstenes Cavalcante aparece em pé, vestindo terno escuro e gravata azul, segurando um papel com as duas mãos à frente do corpo. Ele está no plenário do Senado Federal, com o plenário ao fundo. Ao fundo, na bancada elevada, vários parlamentares usam fitas sobre a boca  de cor branca. Sobre a estrutura do plenário, há um retângulo branco centralizado com a frase 'Comunicado Urgente!' em letras pretas e em caixa alta. Na margem inferior do vídeo, é exibida a barra de reprodução com a marcação de tempo '0:00 / 1:33' e os ícones de controle de mídia. Na parte inferior da imagem, constam o horário e a data da postagem: '4:33 PM · 2 de set de 2026', seguidos do alcance de '111 mil Visualizações'. 
Imagem: Reprodução / Instagram

Ainda em agosto de 2025, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou uma lista de 14 envolvidos no protesto para análise da corregedoria da Casa. Em maio de 2026, o Conselho de Ética da Câmara aprovou a suspensão por dois meses dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), que recorreram da decisão.

Até o momento já foram protocolados no Congresso 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros do Supremo, segundo disse Alcolumbre na terça-feira (1º). Apenas contra Moraes, são 55 solicitações. Os pedidos ainda não avançaram na Casa.

Essas postagens desinformativas ganharam força após serem divulgadas supostas mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, provenientes de investigação da Polícia Federal que teve o sigilo retirado pelo ministro do Supremo André Mendonça.

Em uma conversa, ocorrida dois dias antes da prisão do banqueiro, Vorcaro pergunta: “Acha que segunda já devo estar fora?”.

O inquérito aponta ainda que os dois tiveram diversos encontros entre março de 2024 e agosto de 2025, e que, em novembro, o banqueiro teria dito ter uma “dívida de vida” com Moraes.

O documento revela, também, ao menos dois acordos financeiros entre Vorcaro e a advogada Viviane Barci Moraes, esposa do magistrado. Metadados mostram que um dos contratos foi editado pelo ministro antes da assinatura. Para a PF, isso indica que, além de ter ciência, o magistrado interferiu nas negociações.

Desde a divulgação das mensagens, Aos Fatos já desmentiu que Moraes teria feito o primeiro pronunciamento e que o ministro teria discutido com Mendonça no STF.

O caminho da apuração

Aos Fatos fez busca reversa e apurou que o vídeo original foi gravado em agosto de 2025 e foi tirado de contexto. A reportagem entrou em contato com o Supremo Tribunal Federal e com o Senado, mas não houve retorno.

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