Miriam Leitão não participou de assalto a banco na ditadura militar

Por Priscila Pacheco

11 de abril de 2022, 18h10

Não é verdade que a jornalista Miriam Leitão assaltou uma agência do Banespa em São Paulo e foi presa por isso em 1968, como alegam nas redes (veja aqui). Ela de fato foi detida durante a ditadura militar, mas em 1972 e por integrar o PCdoB (Partido Comunista do Brasil), que era clandestino e considerado “subversivo” na época.

Esta alegação enganosa reunia ao menos centenas de compartilhamentos no Facebook e dezenas no Twitter nesta segunda-feira (11).


Selo falso

Postagem acusa Miriam Leitão de ter sido presa por assaltar banco, o que é falso

Postagens enganam ao alegar que a jornalista Miriam Leitão foi presa durante a ditadura militar por participar de um assalto a uma agência do Banespa, em 1968. Na época, ela tinha 15 anos e vivia em Caratinga (MG).

A jornalista foi de fato detida durante o regime militar, mas em 1972 e sob acusação de integrar o PCdoB (Partido Comunista do Brasil), que atuava clandestinamente à época. Leitão foi acusada de “agrupamento prejudicial à segurança nacional e propaganda subversiva”, segundo registro do Ministério Público Militar.

Quando foi presa, Miriam Leitão vivia em Vitória (ES) e fazia parte do movimento estudantil da região. Ela participava de reuniões, distribuía panfletos e fazia pichações contra a ditadura. Grávida do primeiro filho, Vladimir Netto, a jornalista foi detida no 38º Batalhão de Infantaria de Vila Velha (ES), onde ficou por três meses e foi torturada.

As fotografias utilizadas na peça de desinformação são desse processo e estão no livro “Em Nome dos Pais”, do jornalista Matheus Leitão, seu filho. As notícias relacionadas a assaltos a bancos realizados em São Paulo no ano de 1968 por opositores da ditadura não citam o nome de Miriam Leitão.

A alegação falsa circula ao menos desde 2018, quando foi checada pelo Fato ou Fake, do G1, e pela agência Lupa. Ela voltou a aparecer após o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usar o Twitter para debochar de uma das torturas sofridas por Leitão na ditadura, ao compartilhar um emoji de uma cobra — ela foi trancada em uma sala escura, nua e grávida, com uma jiboia.

Em seu perfil no Twitter, Miriam Leitão afirmou: “Essa mentira sempre volta. Felizmente temos os jornalistas que procuram a verdade”.

O site UOL Confere também checou essa peça de desinformação recentemente.

Referências:

1. Globo.com
2. Ministério Público
3. O Globo (Fontes 1 e 2)
4. Brio
5. Tribuna da Imprensa
6. Estadão (Fontes 1 e 2)
7. Folha de S. Paulo
8. G1
9. Twitter Miriam Leitão


Aos Fatos integra o Programa de Verificação de Fatos Independente da Meta. Veja aqui como funciona a parceria.


Esta reportagem foi publicada de acordo com a metodologia anterior do Aos Fatos.

Topo

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.