Ministros do STF não participarão de debate sobre ‘novo governo’ em novembro

Por Luiz Fernando Menezes

11 de julho de 2022, 13h28

Não é verdade que quatro ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) irão a Nova York em novembro para discutir um “novo governo” que já estaria definido independentemente da eleição presidencial de outubro, como tem sido dito nas redes (veja aqui). O convite mostrado é da Brazil Conference, evento anual organizado pelo Grupo Lide, que terá como tema os desafios econômicos e institucionais das eleições. Os magistrados participarão de painel sobre respeito à liberdade e à democracia. O debate sobre economia no pós-eleição, que mudou de nome após receber críticas nas redes, contará com economistas e um empresário.

A desinformação acumula mais de 4.000 compartilhamentos no Facebook.


Selo falso

Quase metade do STF vai para NY após a eleição discutir o ‘novo governo’. Como assim?

Posts enganam ao sugerir que ministros do STF participarão de evento para discutir ‘novo governo’ após eleições

Publicações nas redes sociais sugerem que ministros do STF já saberiam do resultado das eleições de outubro, pois estão previstos para participar de um debate em Nova York, em novembro, sobre o “novo governo” — o que é falso. As postagens mostram a programação da Brazil Conference, evento organizado anualmente pelo Grupo Lide na cidade americana, que neste ano terá como tema “Os desafios institucionais e econômicos das eleições no Brasil”. O Lide foi fundado pelo ex-governador paulista João Doria (PSDB) e é presidido por um dos filhos dele, João Doria Neto.

Conforme pode ser verificado na página do evento salva no cache do Google, quatro ministros do STF — o presidente Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes — foram convidados a participar do painel “O Brasil e o respeito à liberdade e à democracia”.

Já o debate “A economia do Brasil com o novo governo”, que após receber críticas em redes bolsonaristas teve o nome alterado, contará com os ex-ministros da economia Henrique Meirelles (MDB) e Joaquim Levy, o economista Pérsio Arida e o empresário Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho de administração da Cosan e de outras empresas da área de energia. Arida fez parte da equipe do Plano Real, foi presidente do Banco Central no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995–2002) e também fez carreira no setor privado, tendo atuado como presidente do conselho e sócio do banco BTG Pactual, do qual se desligou em 2017.

O painel sobre a economia do país foi renomeado para deixar claro que o “novo governo” não se referia a um novo presidente — e passou a ser intitulado “A economia do Brasil no pós-eleição”.

Em nota enviada ao Poder360, o Lide explicou que a palestra dos economistas foi renomeada para facilitar a compreensão: “A temática proposta para o debate do dia 15 de novembro foca no panorama econômico do Brasil pós-eleições, independentemente do vencedor ou da vencedora do pleito nacional. Qualquer interpretação diferente desta pauta está errada.”

O argumento enganoso de que o STF já saberia que haverá um novo presidente em 2023 foi feito também pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em sua live da última quinta-feira (7): “Olha, o Supremo e esses outros economistas estão dizendo que vamos ter um novo governo. Eles já sabem o resultado das eleições? Esquisito isso, né?”

As eleições brasileiras são auditáveis e, desde a implementação do sistema eletrônico de apuração, nos anos 1990, não houve registro de fraudes. As urnas possuem recursos que garantem que os votos nelas inseridos serão calculados no final da eleição. Um exemplo é o boletim de urna impresso: todas as urnas emitem um documento com o resultado parcial do pleito naquela seção, que pode ser conferido por todos os cidadãos logo ao final do pleito.

Referências:

1. Lide (1 e 2)
2. Poder360
3. Youtube (Jair Bolsonaro)
4. Aos Fatos


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