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🕐 ESTA REPORTAGEM FOI PUBLICADA EM Agosto de 2023. INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE TEXTO PODEM ESTAR DESATUALIZADAS OU TEREM MUDADO.

Meta climática da ONU requer fim da exploração de petróleo, ao contrário do que diz ministro de Minas e Energia

Por Amanda Ribeiro

9 de agosto de 2023, 16h48

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), enganou ao afirmar em entrevista coletiva na terça-feira (8) que estudos científicos confrontam a posição do IPCC, painel climático da ONU, de que o mundo deve parar de investir em novos poços de petróleo para atingir a meta de limitar o aquecimento do planeta a 1,5 ºC. A declaração foi em resposta a um discurso do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que criticou na Cúpula da Amazônia governos de esquerda que contrariam consensos científicos para continuar investindo em combustíveis fósseis.

Questionado por jornalistas sobre a origem do dado que contrariava o IPCC, formado por pesquisadores de diversos países e que é considerado a principal autoridade climática global, o ministro citou a IEA (Agência Internacional de Energia, em português). Em relatório divulgado no ano passado, no entanto, o órgão também apontou a necessidade de substituir combustíveis fósseis por fontes limpas e renováveis, como as energias solar e eólica.

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Selo falso

Nós temos estudos que apontam, de forma clara e cristalina… que contrapõem exatamente essa posição do IPCC [sobre a necessidade de não se fazer novos investimentos em petróleo para cumprimento da meta climática]

Não é verdade que estudos científicos contrariam o posicionamento do IPCC de que países devem abandonar novos investimentos em petróleo para impedir o avanço das mudanças climáticas. Fonte citada pelo ministro Alexandre Silveira como a responsável por se contrapor ao painel intergovernamental da ONU, a IEA também defende a transição para fontes limpas e renováveis como maneira de garantir o cumprimento da meta climática.

Na versão de 2022 do World Energy Outlook, a IEA — que é vinculada à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) — afirma que “aumentar o investimento em energia limpa, em vez de novos suprimentos de combustível fóssil de longo prazo, fornece uma solução mais duradoura para a crise de energia atual, ao mesmo tempo em que reduz as emissões”.

  • No sumário executivo do documento, a IEA atesta que o uso de combustíveis fósseis tem seguido uma curva ascendente desde a Revolução Industrial, no século 18, e que “reverter esse aumento enquanto se continua com a expansão da economia global será um evento crucial na história da energia”;
  • O modelo proposto pelo órgão para conter o avanço das mudanças climáticas prevê, por exemplo, o fim do uso de caldeiras movidas a combustíveis fósseis até 2025, o fim da venda de novos carros com motores a combustão até 2035 e adotar 90% de participação de recursos renováveis na geração de energia até 2050.

O posicionamento da agência é similar ao adotado pelo IPCC na versão de 2023 do relatório sobre mudanças climáticas.

  • No documento, pesquisadores apontam que a infraestrutura existente para a exploração de combustíveis fósseis já seria responsável por exceder o limite de emissões de carbono necessárias para limitar o aquecimento do planeta a 1,5 ºC;
  • Esse dado significa que a exploração de novas fontes de emissão desses combustíveis — como, por exemplo, poços de petróleo — é desaconselhada caso o planeta queira frear as mudanças climáticas;
  • Os cientistas classificam a emergência climática como “uma ameaça ao bem-estar humano e à saúde do planeta”;
  • Segundo os pesquisadores, é necessário implementar mudanças ao longo da atual década a fim de “reduzir perdas e danos projetados para os seres humanos e ecossistemas e proporcionar muitos cobenefícios, especialmente para a qualidade do ar e a saúde”;
  • O objetivo passa pela necessidade de zerar as emissões de carbono e gases responsáveis por gerar o efeito estufa.

Segundo a ONU, os combustíveis fósseis são responsáveis por cerca de 75% das emissões de gases do efeito estufa e 90% das emissões de dióxido de carbono.

Referências:

1. Governo federal
2. IEA (1, 2 e 3)
3. US Department of Energy
4. IPCC (1 e 2)
5. The Guardian
6. ONU

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