É falso que metanol foi encontrado na Coca-Cola

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Não é verdade que foi detectada a presença de metanol em lotes de Coca-Cola, como alegam posts nas redes. As peças de desinformação compartilham o print de um texto que imita a estrutura do g1, mas que nunca foi publicado pelo site. A Coca-Cola e as polícias civis de Minas Gerais e São Paulo desmentiram a veracidade da alegação.

O conteúdo falso acumulava ao menos cinco milhões de visualizações no TikTok e milhares de compartilhamentos no Facebook e no Instagram até a tarde desta segunda-feira (6).

Metanol é detectado em lotes da Coca-Cola

A imagem mostra montagem que imita visual de reportagem do portal g1, na editoria Mundo. O título da suposta notícia diz: 'Metanol é detectado em lotes da Coca-Cola', seguido de um subtítulo afirmando que uma substância tóxica foi identificada em testes laboratoriais feitos por um órgão de fiscalização sanitária. Abaixo do texto, há duas imagens: uma com garrafas de Coca-Cola em uma prateleira e outra mostrando a fachada de um prédio com o logotipo da marca. No canto inferior da imagem, aparece a frase: 'aquela pessoa viciada numa coquinha geladinha:’.

Publicações nas redes compartilham um print falso do g1 para alegar que teria sido detectada a presença de metanol em lotes de Coca-Cola. Além de o portal de notícias não ter publicado nenhum texto do tipo, a alegação falsa foi desmentida pela Coca-Cola e pelas polícias civis de Minas Gerais e São Paulo.

"São falsos os vídeos que circulam nas redes sociais associando a Coca-Cola a bebidas adulteradas com metanol. Não existe qualquer relação entre nossos produtos e os casos mencionados, nem há nenhuma investigação em andamento sobre a companhia. Reafirmamos que todas as nossas bebidas seguem rigorosos padrões de qualidade e segurança e são 100% seguras para consumo", afirmou a empresa em nota ao Aos Fatos.

Algumas publicações alegam que os lotes teriam sido apreendidos em São Paulo e Minas Gerais. Questionada, a Polícia Civil paulista afirmou não ter divulgado nenhuma informação sobre marcas de bebidas contaminadas. Já a corporação mineira informou que não há registro sobre as situações mencionadas.

Aos Fatos já revelou a existência de diversos sites que possibilitam, de maneira simples, a fabricação de imagens e links que imitam sites noticiosos ou publicações em redes sociais.

Na imagem há duas partes principais, lado a lado. À esquerda, há uma interface de um site com fundo branco e campos para preencher. No topo, está escrito 'Seção da notícia:' seguido de quatro botões com as opções 'Economia', 'Política', 'Futebol' e 'Personalizado'. Abaixo, há três caixas de texto com os rótulos 'Título da notícia:', 'Subtítulo:' e 'Texto do 1º parágrafo:'. Em seguida, há uma área delimitada por linha tracejada com o texto 'Para adicionar uma foto, solte um arquivo aqui ou então clique.'. Abaixo dessa área, há um botão roxo com a frase 'Gerar fake news!'. À direita, há outra seção com cabeçalho vermelho e o texto 'ECONOMIA'. Abaixo, aparece o título 'Crie sua fake news' e um texto explicativo que diz: 'Utilize os campos ao lado para digitar título, subtítulo e início do texto da ‘notícia’.' Logo abaixo, há o nome 'Por Fernando Mota', uma data e ícones de redes sociais. O restante do texto inclui instruções como 'Brinque com seus amigos!', 'Use este serviço apenas para diversão e paródia.' e 'Divirta-se com responsabilidade!'.
Exemplo de site especializado em gerar publicações falsas (Reprodução)

Casos de metanol. De acordo com o balanço mais recente do Ministério da Saúde, o número de notificações de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica, entre investigados e confirmados, é de 225. Duas pessoas morreram em decorrência do envenenamento.

Do total de registros, 192 ocorreram em São Paulo, sendo 14 confirmados e 178 em investigação.

A Polícia Civil de São Paulo apura a suspeita do uso de metanol na higienização das garrafas utilizadas na falsificação das bebidas em fábricas clandestinas. Paralelamente, a Polícia Federal avalia o possível envolvimento de organizações criminosas na adulteração dos produtos.

Aos Fatos também já desmentiu supostos casos de contaminação por metanol no café, na água mineral, no leite e até mesmo no gás de cozinha.

O caminho da apuração

Aos Fatos entrou em contato com a Coca-Cola e as polícias civis de estados citados pelas peças enganosas, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Também realizamos buscas com os termos ‘coca cola’ e ‘metanol’ no site do g1 e no site Wayback Machine, que armazena publicações de diversos sites, para verificar se de fato houve uma publicação do tipo, mas não foram encontrados resultados.

Referências

  1. g1 (1, 2 e 3)
  2. Aos Fatos
  3. Governo federal
  4. metanol (1 e 2)
  5. Mulher que aparece em vídeo não morreu após tomar Coca-Cola com metanol (1 e 2)
  6. café
  7. água mineral
  8. leite
  9. gás de cozinha

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